Quando a fé emociona

Esta tarde, na Missa do Campo Grande, celebrámos os ritos de eleição e acolhimento na comunidade de duas crianças, o Nuno e o Manuel, que vão ser baptizados no próximo domingo e, juntamente com mais alguns colegas, irão fazer a primeira comunhão.
Algumas pessoas acham estas celebrações demoradas, que deviam ser celebras à parte... mas que presença da comunidade iriam ter? O mal, muitas vezes é esse mesmo, desligarmos da comunidade com quem partilhamos e celebramos a nossa fé.
Sentir a força da comunidade que reza e canta emociona. Como me emocionou a mim quando chamei estes dois pequenos para o meu lado, no momento do Pai-nosso, e a eles se juntou um outro, talvez um anjo da guarda, vindo não sei de onde, aprenderem connosco a oração dos filhos de Deus.
Quando um padre baptiza, e em especial crianças já crescidas e adultos, sente-se de certa maneira pai. Pai na fé, responsável de certa maneira pelos que mais tarde que o habitual foram tocados pela graça e agora juntam-se a nós.
Como digo, hoje, durante o Pai nosso era impossível não haver emoção. Todas aquelas pessoas que estavam na Missa, irmãos mais velhos na fé, a rezar e a "ensinar" o Pai-nosso àquelas crianças que, timidamente e de olhar baixo, rezavam também esta bela oração, tesouro precioso, que nos introduz na verdadeira filiação divina. Podermos chamar a Deus nosso Pai! Que grandeza e que riqueza.
Uma liturgia insensível não leva a nada. Torna-se rotina, puro cumprimento de um preceito. Quando ela envolve, quando não exagera nos ritos nem no acessório, quando coloca sentimentos, então ela atrai, torna-se fé celebrada e emocionada.
No fim deste dia só posso agradecer a Deus o dom da fé e de ser padre. O dom da fé, ainda que mais pequeno que um grão de mostarda e o dom de ser padre, apesar dos apesares, que Deus saberá.
E dar graças por ter irmãos com quem partilhar a fé, aos quais, hoje, se juntaram o Nuno e o Manuel.
 
(No rito da eleição e do acolhimento colocamos ao peito do catecúmeno uma cruz, a de Cristo, a que nos libertou e é sinal do seu amor por nós. Estas que estão na fotografia são as que, na semana passada entreguei a três adultos que também se estão a preparar para o baptismo, na noite de Páscoa. Caminhadas e idades diferentes mas, como escreveu São Paulo, "é um só Senhor, uma só fé, um só baptismo, um só Deus e Pai de todos".)

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