Uma liturgia que faz vibrar

A comunidade tem vivido dias de saudável alegria. Desde a semana passada que temos connosco cinco postulantes, vindos de Angola, que nos fizeram um refresh neste mês de Agosto. São expansivos e contagiam a sua alegria. Apesar de ser um pouco cansativo para mim - é a primeira vez que estão na Europa, tudo é novo e tudo demora o seu tempo - têm vindo a aprender o espanhol que vão precisar para o noviciado e eu, em alguns momentos, além de sair com eles, também lhes falo um pouco da nossa vida dominicana.
A mim contagiam-me também os sons africanos. De facto, a maneira leve e alegre de celebrar faz vibrar a fé, faz sentir Deus mais perto. Esta manhã falei-lhes da nossa dimensão litúrgica. Do "breviter et succinter" e do "magis et minus pro tempore observetur", que são duas expressões antigas, da nossa espiritualidade litúrgica, quer querem dizer que a nossa liturgia deve ser breve e sucinta (a primeira expressão) para não perder nem a devoção nem o tempo do estudo, e depois o equilibro das celebrações, expresso no mais e no menos, de acordo com o que se celebra. Estas indicações não querem dizer que não respeitamos a liturgia mas, é de concordar que algumas celebrações tornam-se muito pesadas e longas sem grande justificação.
Voltando aos sons e ritmos africanos, tenho procurado no Youtube cânticos angolanos: em Umbundo ou Kimbundo (eu não sei a diferença mas pelo que tenho ouvido o Umbundo é mais genuíno) ou ainda noutro dialecto, volto ao mesmo: a expressão litúrgica destas comunidades coloca a Europa a um canto. É diferente, bem sei, é inculturação, melhor ainda, mas como muitas vezes os africanos dizem: é tudo muito diferente. E o Youtube, hoje, voltou a recomendar-me um vídeo que se intitula "A dança do bispo". Não vou descrever o vídeo porque o coloco aqui mas lembro-me de uma vez, ao mostrar este vídeo a um frei, o comentário dele foi: olha, pelo menos este bispo deu utilidade ao báculo. Na altura deixei lá um comentário, hoje presto homenagem.
Uma liturgia que não seja vivida e expressada perde a sua dimensão mais sagrada que é a de nos ligar a Deus. Enquanto aqui na velha Europa acharmos que a expressão na liturgia for alternar o estar de joelhos com o estar de pé ou sentado, não iremos longe. Deus é dança, Deus é alegria, o nosso Deus é um Deus de festa. Certamente que não teremos de imitar outras culturas, o que seria o oitenta, mas também não é preciso ficar no oito...

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