O que faz um terço


No mês de Maio, os católicos celebram o mês de Maria. Não há nenhuma razão em especial. Talvez por ser o mês mais bonito do ano. Há mais flores, os dias são mais alegres, em Portugal temos a festa do 13 de Maio, dia da aparição de Nossa Senhora em Fátima... Uma tradição bonita.
Neste mês há também muitas manifestações de piedade a Nossa Senhora: procissões, celebrações marianas, reza do terço.
O terço - alguém o chamou a Bíblia dos pobres - é talvez o objecto religioso mais difundido na nossa cultura ocidental. Actualmente nem está ligado só aos católicos. Entrou na moda, vemos os mais novos com o terços de plástico fluorescente ao pescoço, vemo-los nos carros, talvez para dar sorte, vemo-los nas mãos dos peregrinos a pé a Fátima, nas reportagens televisivas, outros usam-no nos bolsos, para poder rezar quando tiverem um bocadinho de tempo, que é o meu caso.
Há pessoas que o rezam enquanto conduzem, outras que precisam de um espaço sagrado, outras ainda colocam-se em sintonia com a rádio para rezarem em conjunto. Eu rezo-o nas minhas caminhadas a pé.
Mas o terço pode ser também um sinal de que se é crente. Tem acontecido no hospital. Chegamos às pessoas porque reparámos no terço à beira da cama.
Foi num desses despistes que conheci a uma doente, de 54 anos, que faleceu esta madrugada. Há oito dias disseram-me: olhe, passe por lá, vi que tem o terço ao pé dela. Entrei, apresentei-me e vieram logo dois pedidos: queria receber a "extrema unção" e queria casar pela igreja.
Esta doente conheceu o marido há 31 anos, casou pelo civil nos anos 80 mas nunca pela Igreja. E não queria morrer sem receber estes dois sacramentos.
Na quinta-feira passada casou no hospital pela Igreja. Os filhos foram as testemunhas. Todos emocionados, ela feliz. Ontem o marido chamou-me para que lhe administrasse a Santa Unção. Rezámos e encomendei-a a Deus. O marido, emocionado, também. A meio da noite partiu. Certamente consolada pela graça de Deus e por poder cumprir o que queria.
Tudo isto por causa de um terço na mesinha de cabeceira num quarto do hospital.

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