A proibição como opção

Algumas vezes, quando nós, padres ou religiosos, falamos da nossa vida, aparecem sempre as questões da proibição: não podem isto, não podem aquilo. Parece que a nossa estranha forma de vida é feita de sinais proibidos ou sinais de perigo. E é difícil mudar as mentalidades. Sobretudo dos mais novos, para quem não poder fazer isto ou não poder fazer aquilo cheira a controlo ou proibição.
Ora, há uma diferença muito grande entre uma coisa que me está proibida e aquilo a que abdico por opção de vida.
Porque a nossa vida é feita de opções. Quando se casa com A fica automaticamente proibido casar ao mesmo tempo com B. Quando opto por casar com A já o B não me interessa. Quando digo que sou frade, normalmente vem sempre a pergunta: então não pode casar, não pode ter dinheiro, não pode ter carro etc. etc. E aí começar a transformação das coisas: não se trata de uma proibição mas sim de uma opção fundamental de forma de vida, que acarreta com isso outras pequenas opções derivantes. Da mesma maneira que eu, sendo padre, não caso, da mesma maneira quem casa não pode ficar solteiro. Poderiam-se multiplicar os exemplos, dos mais sérios aos mais ridículos, mas acho que as camadas mais novas deveriam ser ensinados nesta maneira de pensar muito mais séria e autêntica do que significa liberdade ou das consequências das nossas opções.
Seria muito triste a nossa vida se ela se resumisse ao que que posso fazer ou não posso fazer. Porque não dependeria de mim mas do exterior, de uma lei imposta. Ora, não há pior constrangimento do que eu ser obrigado ou estar proibido de fazer alguma coisa se isso não parte de mim, da minha consciência e da minha vontade. Sempre que eu assimilo as regras e as integro na minha vida, então a proibição torna-se opção, a castração uma libertação, e a nossa vida começa a ganhar sentido.
Mas, como digo, há aqui um trabalho profundo a fazer que, se calhar, começa logo nos primeiros anos de vida e de adaptação ao nosso mundo, que é o da formação das consciências.
Não percebo de educação nem sei quais os programas escolares da religião e moral ou da educação cívica (se é que ainda existem) ou até da educação sexual, mas que se nota um grande deficit, nota. E não sei se os pais ajudam nesta missão de boa educação dos filhos. Educar é podar, diria Agostinho da Silva. Só de uma boa educação se pode esperar uma futura boa sociedade. Talvez a filosofia ajudasse.

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