Ida à Batalha

No sábado passado, convidado pelo Dr. Pedro Redol, fui à Batalha, antigo convento dominicano, para a inauguração da exposição "Lugares de Oração", e também para o lançamento do Livro "Os últimos anos - a Vida quotidiana no Convento da Batalha", da Professora Luísa Bernardino. Cada vez que entro num convento que pertenceu à Ordem sinto-me em casa. Os lugares são familiares, tudo nos diz alguma coisa, pensar sobretudo que os monumentos que visitamos, foram em tempos, lugares do oração, de vida religiosa, pequenos oásis em cidades e vilas onde, entre o bulício dos comércios e afazeres, os sinos dos mosteiros e dos conventos faziam lembrar que alguém, lá dentro, estaria a rezar a Deus.
A simplicidade destes dois eventos não lhe tira qualidade. Pelo contrário. O catálogo da exposição, que se encontra online, mostra o cuidado em querer fazer valorizar já não tanto as pedras mas sim a vida conventual que se vivia na Batalha. E o livro é o resultado disso. Muito baseado nas notas comerciais que o procurador ia assentando no livro de contas conseguimos perceber como era a comunidade, quem trabalhava, que visitas havia, que coisas compravam e vendiam... ultrapassa a curiosidade e, como digo, dá vida e faz memória.
Como se disse durante a apresentação do livro, os anos entre 1830-34 foram difíceis para a vida religiosa em Portugal. A expulsão das ordens religiosas fez com que frades e freiras tivessem que recomeçar numa vida não desejada. Quem vai folheando o livro repara, já no final, o que aconteceu depois da expulsão dos dominicanos da Batalha: o prior ficou coadjutor na paróquia da Batalha, juntamente com um irmão cooperador, que ficou também na paróquia como sacristão; um outro padre ficou também por lá, mas sem emprego pela sua velhice e doença; um outro regressou à sua terra natal, também sem trabalho pela idade e doença; um outro padre, mais novo, teve ainda colocação como coadjutor numa paróquia da região de Aljubarrota.
Fiquei muito contente pela vontade que os técnicos da Batalha têm em revisitar a vida conventual. É importante este trabalho, quer em relação ao passado mas também com o presente.
Fotografia: a pequena capela de São Jorge, que consegui visitar antes de chegar à Batalha.

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