A porta e a chave

No passado dia 2 de Fevereiro celebrou-se o dia do Consagrado. O Papa Francisco celebrou a Missa no Vaticano com os consagrados que lá se reuniram. Uma homilia curta, com alguns recados que pode ler aqui.
Tocou-me uma frase em que o Papa dizia que, na vida consagrada, os jovens abrem as portas mas os mais velhos é que têm as chaves. E, no decorrer dos anos, vamos (vou-me) apercebendo da verdade que isso é.
Pela minha parte, e ao mesmo tempo, comecei a ler as Meditações, de Marco Aurélio, um clássico da literatura romana (o título que ele deu ao livro foi "para mim mesmo". No primeiro livro (são 12), ele começa por "meditar" dizendo o que deve aos seus antecessores: avô, pai, mãe, bisavô, tutor, filósofos... dando a impressão que a sua personalidade não se construiu em teorias mas sim nas vidas que o rodearam. Aparecem valores como a rectidão, a piedade e a generosidade, a simplicidade de vida... coisas que verdadeiramente constroem.
Como se sabe da vida de Marco Aurélio, ele foi adoptado pelo Imperador António pio. E também lhe dedica vários parágrafos de admiração e reconhecimento. Deixo aqui o início do parágrafo 16, em que se vê bem o que significa a admiração e a gratidão para com quem tem as chaves que nos abrem as portas dos desafios e da esperança: "As qualidades que admirei no meu pai adoptivo foi a sua compaixão. A sua completa indiferença às honras superficiais. O trabalho árduo. A perseverança. A vontade de ouvir atentamente qualquer pessoa que pudesse contribuir para o bem comum. Uma determinação inabalável para tratar as pessoas como merecem. O instinto de saber sempre quando puxar ou soltar as rédeas".
Vale a pena ler o livro, mesmo se não comungamos a cem por cento do estoicismo. Eu vou sublinhando alguns pensamentos tão simples e óbvios, mas que valem a pena lembrar, como por exemplo este: "Enquanto estás vivo e capaz, sê bondoso".

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