Transfigurações

Avançando para a Páscoa, o segundo domingo da Quaresma faz-nos subir ao Monte Tabor para contemplar o Transfigurado. Jesus, a caminho de Jerusalém, avisa os discípulos que vai sofrer e que quem o quiser seguir tem que pegar também na cruz. Pedro tenta demover Jesus da subida a Jerusalém, mas não consegue. E é a caminho de Jerusalém que Jesus pega em Pedro, Tiago e João e se transfigura diante deles.
Transfigurar. O dicionário é claro: mudar de figura. Frederico Lourenço, que traduziu do grego os Evangelhos, especifica numa nota que a tradução exacta é metamorfose. Quer uma quer outra dizem, no fundo, o mesmo: mudou de aspecto, envolvendo-se de uma luz alvíssima que impressiona os discípulos.
Em Jesus, transfiguração significa antecipação da Páscoa. Explica-nos que a morte é uma "metamorfose" necessária para nos fazer viver na luz de Deus. Que ele, à semelhança de Moisés e Elias não vai ser arrebatado ao céu, nem ter uma morte tranquila, mas sim uma morte de sofrimento, na Cruz. Mas que não acaba ali. As trevas de Sexta-feira santa são iluminadas pela manhã de Páscoa.
Mas também nós somos chamados a fazer transfigurações. Antes de mais, em nós. Transfigurarmos em luz o que na nossa vida é trevas; transfigurarmos o interior para que o exterior brilhe; transfigurar o que a maldade (o pecado) vai desfigurando.
E, porque Deus nos colocou neste mundo com a missão de sermos felizes e de fazermos felizes os outros, é também nosso dever transfigurar as vidas e situações dos que nos rodeiam: olhando à nossa volta não conhecemos pessoas ou situações que precisam de transfiguração? Não podemos levar a luz de Cristo às sombras que toldam tantas vidas? Bom domingo!

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