Advir - Um poema de Advento

e clama:
levantai a cabeça, vigiai!
o advento chega com o abatimento,
a decepção
a desistência
e reclama:
erguei-vos do chão, a alegria é o bordão
que reverdece o vosso andar
o advento chega como o sono
que reclama
a vitória sobre o medo da noite
a entreaberta janela
por que surde o dia
o advento chega pela noite dentro
a erguer do chão
os dias obscuros que até
os ulmeiros escurecem
o advento chega
para reacender a fogueira morta
dos nossos desejos
com o Messias chega
para a terraplanagem chama
e os recomeços
(fr. José Augusto Mourão - inédito; imagem: Francesco del Cossa, São João Batista)