São Francisco de Assis, pobre de Cristo


Hoje fui celebrar Missa a Marvila. Tirei esta fotografia de São Francisco de Assis, que se encontra na Sacristia.
Quase todos os anos escrevo sobre São Francisco. É dos santos que apetece falar, embora muito da sua vida fique muito pelas "Florinhas de São Franscisco", pequenos episódios, secundários, reais ou com fundo real, que explicam a outra vida dos Santos. Mas é destas florinhas que conhecemos a sua vida: a conversa com o lobo, com os pássaros, a sua vida evangélica, pobre de Cristo que é o mesmo que dizer rico de Deus.
Uma bonita tradição, que ainda se conserva em algumas cidades, consiste em que os domincanos e francicanos se convidem nos dias dos seus santos. Ou seja, no dia de São Domingos o prior dominicano convida o prior dos franciscanos para pregar na Missa e almoçar com a comunidade. O mesmo no dia de São Francisco: o prior franciscano convida o prior dominicano para pregar na Missa e almoçar com a comunidade. Infelizmente em Lisboa, como prior, nunca consegui retomar esta bonita tradição.
Ora, reza a história que num dia de São Francisco, o prior franciscano convidou o novo prior dos dominicanos para o sermão e almoço. Como se sabe, os franciscanos eram conhecidos pela sua extrema pobreza. Ora, quando chegaram à mesa, havia umas batatas lisas para o almoço mas, como era dia de festa, tinham direito a um fio de azeite. Então, já à mesa, o prior provincial advertiu o prior dos dominicanos que, entre eles, havia uma medida para o azeite: o tempo de um Kyrie. O prior exemplificou e deitou azeite nas batatas enquanto cantou: Ky-ri-i-e, e-le-i-son. Passou a galheta ao prior do convento que fez o mesmo. Quando chegou a vez do prior dominicano, ele pegou na galheta do azeite e vendo que o Kyrie breve que eles cantavam mal dava a volta ao prato, começa a cantar o seu Kyrie: Kyri-i-i-e, e-e-e-e-e-e-e-e-e-e-e-e, e-e-e-e-e-e le-i-son.
Anedotas à parte, uma das coisas que nos une aos franciscanos, é a vida mendicante. Não só pelo facto de São Domingos e São Francisco se terem conhecido e abraçado em Roma. O abraço, além do afecto, tinha também um sentido de colaboração na missão. As suas vidas, talvez mais vistosa a de São Francisco, são uma memória vida do convite de Jesus à pobreza. Pregar com a própria vida, amando e desejando a santa pobreza. É certo que estamos todos muito desvirtuados das origens, basta ver os grandes conventos que se construíram e que são hoje expressões de grande beleza arquitetónica. Hoje não podemos, simplesmente desfazernos delas. Mas isso não impede de vivermos, como Jesus, uma vida desapegada das riquezas que nos podem cegar.

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