Tudo fechado


Hoje tive um dia de excepção. Talvez não volte a ter outro assim até Junho.
O que estava destinado a ser um dia cheio de actividades e compromissos tornou-se, ao final do dia de ontem, um dia livre. Coisa rara, há que aproveitar.
Peguei em mim e fui até à Península de Setúbal, não para fazer a volta saloia mas sim a rota conventual. Tinha curiosidade em visitar o Convento dominicano de Azeitão e também de revisitar o da Arrábida. E lá fui eu. Apesar do trânsito meio caótico de uma manhã de greve do Metro, cedo cheguei a Vila Nogueira de Azeitão e, mais concretamente, ao convento de Nossa Senhora da Piedade. O dono e morador do Convento não estava mas não houve impedimento de estar no exterior e tirar algumas fotografias. Este convento, bem como o de Benfica, Alcáçovas, Almada e Ancede, e de certa maneira, contrariando os de Almada e Viana do Castelo, são pequenos, isolados, tão convidativos à vida monástica. Não faltam sonhos quando vejo um convento destes, quase abandonado, como este de Azeitão: uma pequena comunidade, de acolhimento e de oração. Mas depressa se acorda à realidade: Lisboa é a missão.
Ao que parece o Convento está à venda, sete milhões, pedem por ele... Além deste, contar ainda com, pelo menos, mais um ou dois para o restaurar. Ficando apalavrada uma visita ao interior, quando o dono do convento por lá estiver, porque hoje estava fora, embrenhei-me na serra da Arrábida, fazendo uma paragem no Portinho. Dia calmo, quase só eu na praia, um passeio à beira mar, contacto com a natureza, olhando para o céu e para o mar, com Tróia ao fundo. Lembrar Sebastião da Gama, com tão grandes motivos para se inspirar.
Depois de tanto descer, voltar a subir, ao Convento de Jesus, ou da Arrábida, ou dos Arrábidos. Infelizmente estava fechado, só está aberto de quarta a domingo, apenas a vista exterior, olhando para cima e para baixo, lembrar São Pedro de Alcântara e o nosso magno frei Agostinho da Cruz, no seu belíssimo e profundo poema às chagas de Cristo, que ainda hoje a liturgia reza e canta.
Olhamos para a beleza do convento e das grutas, olhamos para as cruzes nos cimos dos montes, achamos que bela vida eles levavam mas, mais que bela, era santa e sacrificada. A beleza do mar e da serra não lhes tirava o frio, a humidade e a penitência que se impunha.
E da Arrábida ao Cabo Espichel. Apesar do vento, sabe sempre bem ir ao Santuário de Nossa Senhora do cabo, mesmo que fechado. As alas, agora emparedadas, continuam a parecer dois braços que nos acolhem. Ao fundo a capela e o mar, sempre o mar, com o seu quê de belo e temeroso.
E assim se passou um dia. Com o tempo que Deus nos deu e a calma que os afazeres proporcionaram. O regresso é jubiloso. O que se vê  e o que se sente faz-nos esquecer as rotinas e dá-nos paz. Pelo menos a mim. Já a caminho da cama, levo comigo a História de São Domingos, de Frei Luís de Sousa, para saber mais deste convento dominicano de Azeitão. Se houver novidade ou curiosidade, aqui a escreverei.
Amanhã começo a "maratona" das celebrações da Palavra, nos Maristas. Já não é novidade mas a atenção e a palavra próxima são exigências a ter presente. 

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