Dor de mãe

Pediram-me para substituir um padre num hospital. Fui, tranquilamente, para celebrar a Missa. No final, lágrimas e dor: um menino de 13 meses a morrer nos cuidados intensivos pediátricos. Os pais, ainda novos, desfeitos em lágrimas, vinham chamar a avó, para se despedir do menino. A avó agarrou-se a mim a chorar, eu ainda paramentado, e a pedir-me para que fosse com ela ver o menino e rezássemos juntos por ele. Lá fui eu, com os pais e a avó. Pelo caminho a avó rezava: Jesus, tu ressuscitaste Lázaro, não deixes morrer o menino. E o menino lá estava. Aparentemente a dormir mas o choque eléctrico de que foi vítima atacou-lhe o cérebro e não há nada a fazer. Impus-lhe as mãos, rezámos uma Avé Maria enquanto os pais cobriam o menino de beijos. Eu afastei-me e eles continuavam a implorar a Deus e ao menino que não fosse esse o final, que ele ficasse.
São estas as dores incuráveis: pais que perdem os filhos, com poucos meses de vida. Também a mim, nestes momentos, vêm as nuvens do porquê... ao mesmo tempo o consolo da fé: não somos donos da nossa vida, as fatalidades existem, Deus nada tem a ver com isto senão confortar esta família com a sua presença misteriosa e misericordiosa.
Os pais diziam que o menino só tinha mais duas horas de vida. Há pouco liguei para a urgência e disseram-me que o menino ainda estava connosco. Este menino tem nome: chama-se Rodrigo.
Nesta noite, envolvido pelo drama destes pais e pela situação incompreensível do Rodrigo, rezo a Deus para que os console, lhes alivie o sofrimento que têm e que no meio desta noite tão escura para eles, sejam conduzidos pela luz da Fé, da Esperança e da Páscoa. Há sempre uma manhã de Páscoa nas nossas vidas.

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