Jubileus

No sábado passado nós, dominicanos, demos início, em Fátima ao Jubileu dos 800 anos da confirmação da Ordem. Começou num dia especial para nós, o dia 7 de Novembro, dia em que fazemos festa de todos os Santos da Ordem. E, por todo o mundo, começámos esta caminhada de alegria e de festa, sem esquecer os pecados e erros, que terminará em 2017, no dia 21 de Janeiro, dia em que o Papa Honório III assinou a Bula que confirmava a Ordem dos Pregadores. Como seu lê na Bula, uma Ordem que seja, de nome e de facto, de Pregadores.
Caminho que vai encontrar no próximo mês o jubileu da Misericórdia, proclamado pelo Papa Francisco. "Misericórdia", palavra tão familiar e querida a toda a Ordem Dominicana. A primeira que oficialmente pronunciámos quando quisemos entrar: que pedes?, perguntou quem nos admitiu, "A misericórdia de Deus e a vossa", respondemos nós. Viver, partilhar e pregar a misericórdia de Deus será a melhor maneira de celebrar o Jubileu e também o desafio para este nosso século.
Em Fátima o programa foi simples mas profundo: às dez da manhã reunimo-nos para uma conferência sobre a missão da Ordem para o futuro; depois o momento central, que foi a celebração da Missa com o rito do acendimento da vela do Jubileu, que lembra Cristo, Luz do mundo, mas também a luz que foi São Domingos para a Igreja, simbolizada na tocha que o pequeno cão segura na boca. No final da celebração, cada comunidade acendeu a sua vela para levar a luz e a esperança às comunidades e ser luz através da sua vida. Depois do almoço partilhado fez-se a apresentação do último livro da colecção Biblioteca Dominicana, escrita pelo grande dominicano Felicíssimo Martínez, e que tem o título "Espiritualidade Dominicana". Será uma referência, certamente, para quem quer saber aquilo que nos é tão próprio.
E, para terminar, um concerto de musica gregoriana e polifónica: temas marianos e dominicanos, que a uns levou ao passado e a outros à novidade.
Assim foi em Fátima, noutros sítios de maneira diferente. Em Roma, por exemplo, foi na celebração de Vésperas que se deu início ao Jubileu.
Para marcar o início, aqui deixo a transcrição da mensagem do Mestre da Ordem, fr. Bruno Cadoré, para ser lida no início das celebrações do Jubileu:
É com muita alegria que saúdo todos os frades, irmãs e leigos dominicanos nesta abertura do ano do Jubileu da Ordem dos Pregadores. E faço-o a partir da Basílica de Santa Sabina, que foi entregue a São Domingos. Porquê? Antes de mais porque Santa Sabina é o lugar onde se enraizou a pregação de Domingos.
Domingos gostava muito de rezar aqui, gostava contemplar, falar com Deus. Gostava muito que os mistérios da vida de Cristo habitassem na sua própria vida. E, além disso, também gostava, como se conta, de falar a Deus daquelas e daqueles com quem se tinha encontrado, aqueles a quem tinha falado do Evangelho da Paz. E aí, na sua conversa com Deus, encontrava a força para sair novamente a pregar. Sair a pregar era, para ele, como mostra o mosaico de Santa Sabina, pregar a unidade. A unidade entre a circuncisão e a gentilidade, a unidade entre aqueles que crêem e aqueles que não crêem, a unidade de todos, porque todos somos capazes de uma mesma comunhão. Isto é o que Domingos queria anunciar. E ele encontrava a força para o fazer na visão de Pedro e Paulo: Paulo entrega-lhe a Escritura, a revelação, a unidade e o desígnio de Deus, enquanto Pedro lhe entrega o bastão do peregrino para que possa partir. Então, Domingos, sai e abre a porta!
O Jubileu na Ordem consiste nisto: ele abre a porta, olha para a porta e vê nela a primeira representação da crucifixão. Pregar o Evangelho da paz é pregar a vida dada em abundância por um Messias crucificado. Então, ele sai e vai ao encontro daqueles e daqueles para os quais Cristo o precede.
Um lema para este Jubileu: Vai e prega!

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