Em boa hora


Em boa hora saí hoje de casa, ao final da manhã, entrei numa livraria e encontrei os primeiros oito volumes do Diário de Miguel Torga. Em boa hora a editora D. Quixote ressuscitou estes Diários. Há meses atrás, andando eu à procura deles e tendo ligado para a editora, disseram-me que era pouco provável a reedição uma vez que tinham outros interesses editoriais.
Serão quatro volumes, hoje apareceram os dois primeiros que contêm os antigos oito cadernos.
E em boa hora os irei ler. Em Feirão, relativamente perto de São Martinho de Anta, onde Torga se refugiava.
Tenho que aqui agradecer a quantos me acompanharam nesta saga da procura dos primeiros volumes e, em especial, a uma amiga que me ofereceu os que conseguiu arranjar.
Mas a minha alegria é saber que, finalmente, tenho a vida do Torga nas minhas mãos.
Cá fica um dos seus poemas, "Clarão", tirado do segundo volume, o último que li:


O que isto é, viver!
Abrir o olhos, ver,
E ser o nevoeiro que se vê!
Nevoeiro ao nascer,
Nevoeiro ao morrer,
E um destino na mão que não se lê.

(Caspar David Friedrich, Paisagem com nevoeiro, 1819)

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