Santa e pecadora


A Igreja celebra hoje a festa de Santa Maria Madalena. Mal afamada, sem grandes fundamentos e muitas confusões, ela é chamada de pecadora, prostituta, amante de Jesus e por aí fora. O já esquecido Código Da Vinci explorou esta última faceta da Madalena como amante de Jesus.
Que se associe a Madalena a uma mulher pecadora não vejo mal. Afinal, pecadores somos todos e os santos não foram excepção nesta mácula que nos afasta do caminho do bem e da santidade.
Portanto, ser santo não é sinónimo de não ser pecador. O sinónimo de santidade é a palavra seguimento. O santo é aquele que segue a Cristo, que o prefere sobre todas as coisas, que o ama, que tem a capacidade de moldar a sua vida segundo as exigências do Evangelho.
Foi o que fez esta mulher. Tornou-se seguidora, íntima de Jesus.
Maria de Magdala é a mulher a quem o Senhor cura de uma grande enfermidade e que, a partir daí, o segue na vida e na morte. É ela a grande privilegiada no dia da Ressurreição. Naquela manhã, quando chega ao lugar do túmulo, não encontra o corpo morto e chora. Aparece-lhe Cristo vivo e as lágrimas tristes convertem-se em lágrimas de alegria. Afinal, o meu Cristo está vivo.
Maria Madalena é a grande pregadora da Ressurreição. Diz-lhe Jesus: "Vai ter com os meus irmãos". E ela, quando os encontra grita de alegria: "Vi o Senhor" (João, 20, 11-20). É a 'Apóstola dos apóstolos'.
Nós, dominicanos, temo-la como uma das padroeiras da Ordem. Por vários motivos. Para mim, o mais forte é o deste protagonismo da pregação da Ressurreição de Cristo. Assim como a Madalena testemunhou e anunciou aos irmãos a Ressurreição do Senhor, assim também nós, dominicanos, devemos ser testemunhas e anunciadores desta mesma verdade da fé.
E que Santa Maria Madalena nos ajude, a nós pecadores, a mudar de vida, a seguir o Senhor com todas as forças e a testemunhá-lo no dia-a-dia da nossa vida.
(Noli me Tangere, Alonso Cano, 1640)

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