Fui ao Porto



Chego de um dia cansativo. Fui, manhã cedo ao Porto, para ter uma reunião com os arquitectos que fizeram o Convento onde vivo, e regressei logo a seguir. Já não sei há quantos anos não ia ao Porto de Comboio. Para dizer a verdade, acho que só fui uma vez, pelo ano de 1997, há 13 anos atrás.
Mas valeu a pena ir ao Porto. Pensei levar o computador para trabalhar alguma coisa pela viagem, mas optei por levar um livro e um bloco para ler e talvez escrever. Tirei umas notas sobre as estações onde o pendular parou. Uma das coisas que concluí é que o excesso de velocidade rouba-nos o prazer da contemplação. Isto de que a viagem de comboio é mais bonita porque se vê a paisagem... é ilusão num alfa pendular. Por isso, pouco tenho a dizer dos percursos mas alguma coisa fica das estações.
1. Santarém. Tem uma bela estação, tipo casa de bonecas. Cá fora os azulejos que mostram as curiosidades e os encantos da cidade.
2. Entroncamento. O Entroncamento de bonito não tem nada; refiro-me à estação. Mil e um carris, máquinas, oficinas, carruagens velhas e abandonadas... menos mal que, quando o comboio parte, vemos o Museu Nacional Ferroviário, com a história das locomotivas.
Entre o Entroncamento e o Pombal vejo já alguns homens na arranca da batata.
3. Pombal. Cidade arranjada, fazia-a diferente. É pena não terem investido na estação. Gostei de ver as chaminés gigantes, de tijolo, e as cegonhas lá nos píncaros com os seus ninhos.
4. Coimbra B. O comboio começa a travar quando passa na ponte sobre o pobre Mondego. Digo pobre porque está verde, e não é uma cor poética, é mesmo da sujidade. Traz pouca água. Pobre Mondego, quem te viu e quem te vê. A estação não foge do registo pobre das anteriores. E não encontrei a estação Coimbra A.
5. Sem parar, o comboio atravessa lentamente a estação de Pampilhosa. Fábricas abandonadas. Aqui é que devia acelerar para que não nos déssemos conta do estado da estação.
6. Aveiro. Costumo dizer, a brincar, que de Coimbra para cima já é Porto. Aveiro continua a crescer. Que o digam os prédios que se construíram recentemente e os que estão ainda a meio. Diz o mostrador que a próxima paragem é Espinho. E eu a pensar que Espinho já era para lá do Porto! A minha geografia do Norte Litoral, entenda-se, de Coimbra para cima, é uma desgraça.
6. Espinho. A partir de Aveiro é que muda a paisagem. Solos arenosos, campos cultivados, pomares, milheirais, sobretudo em Válega que, devido a obras nos carris, atravessamos a velocidade de funeral.
A estação de Espinho é subterrânea. Por isso, nada a dizer. Depois da estação, o mar, as praias... tão diferentes das minhas... Espinho lembra-me sempre o afamado camarão de Espinho. Afamado e caro.
7. Gaia. Parece que estamos outra vez no Entroncamento. Carris e mais carris, carruagens de carga, fios eléctricos... O que se está a construir tem uma arquitectura interessante que contrasta com o velho casario desta vila que agora é cidade. Depois da estação o Porto do outro lado. A melhor vista do Porto é Gaia quem a tem. Passar o Douro e entrar em Campanhã que me fez lembrar Santa Apolónia.
O regresso foi pelo mesmo percurso mas com vistas mais agradáveis. Sobretudo a partir de Santarém. O rio acompanha-nos até Lisboa e a Lezíria é um encanto.
(Esta fotografia foi tirada pelo Paulo Lopes. Encontrei-a na net)

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