António Ideias e a procura de Deus

Sou amigo do António Ideias e ele é também meu amigo. Se vivêssemos há uns séculos atrás seríamos bons amigos espirituais. Admiro a sua fé e o seu testemunho. Desde que o conheço e como o conheci, vejo nele um homem que caminha e voa, que em tudo procura Deus e certamente o encontra mais que eu. Também ele me ajuda a ir encontrando Deus. Pensamos de modo igual sobre Deus e os homens, sobre a Igreja e os caminhos do mundo. Poucas vezes discordámos em assuntos mais espirituais. Admiro-o porque no difícil que já viveu conseguiu encontrar refúgio em Deus. Procurou-me há uns anos por questões espirituais e, há um ano, pôs-me à roda com ele e com outros, todos pilotos, na formação de um grupo de pilotos católicos. O grupo está formado, vai andando, de acordo com as escalas e as vidas de cada um. Faz parte dos seguidores deste blogue. É para mim uma honra.
Teve um acidente grave na semana passada e está em coma no hospital. Fui vê-lo na sexta-feira. Demorei pouco, não me atrevi a falar-lhe, fiquei em silêncio a olhar para ele. Fui acompanhado por um capelão do hospital que me dizia: está aqui no nono andar, e daqui vê-se a pista do aeroporto: olha um avião a levantar voo... Perguntei ao enfermeiro previsões... Ele dizia que aos poucos o iam tentar tirar do coma. Que era uma situação muito delicada. Respondi-lhe: sabe, confio na inteligência dos médicos e na força das máquinas, mas também confio no poder de Deus.
Os amigos, de fé e de outros círculos, juntam-se para rezar. Ontem foi na igreja do convento, na Missa do meio dia. Amanhã volta a ser, uma tarde de oração, aqui no convento, também. Quando vinha a Lisboa passava por cá e dizia olá. Sempre bem disposto. Agora, enquanto rezamos, os médicos e enfermeiros, muito lentamente o tentam acordar, para ver se deixa os altos voos e começa a aterrar. Sim, assim é a vida: levantamos voo, subimos alto mas temos sempre de aterrar.
O António já deu muito a este muito e ainda tem muito a dar. Partilho convosco um testemunho que lhe pediram para uma revista e que ele nos enviou por mail:
No meio de tudo e em qualquer lugar Te procurar.
Dirijo-me quase sempre à pressa e para tantos lugares. Porque é preciso ser eficaz, ser eficiente, trabalhar.
Desafio em mim é focar. Permanecer focado n’Aquele que faz a minha vida Ser Vida.
Num mundo que me corre debaixo dos pés durante um voo, é tão fácil distrair-me. Apenas ficar embrenhado em quem está ou em quem não está. No que não tenho ali ou somente no que tenho no momento.
Amanhã virá e já não é lá mas com outras gentes, outro lugar.
O que me faz Viver é permanecer centrado para não “apenas vaguear” pelos lugares e gentes... “apenas vaguear”.
“Somos semeadores, não construtores” somos missionários, onde estivermos e como pudermos, de uma Verdade bem maior que o pequenino passo que hoje dou no canto do mundo onde estiver com as pessoas que ali são o meu lugar.
É aí, nessa Verdade que o “Eu” vive. É aí que eu Sou n’Aquele que É.
Sempre!
É assim o António. Sempre à procura e sempre encontrado com Deus.

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