Exaltação da Santa Cruz

Demorou tempo para que os cristãos compreendessem o valor da Cruz. Por muito que São Paulo dissesse que a Cruz é glória mesmo quando para uns é escândalo e para outros loucura, nos primeiros séculos a Cruz era mesmo vergonha. Jesus dizia aos discípulos que tinha de subir a Jerusalém para sofrer, morrer e ressuscitar e logo, Pedro, lhe diz: Deus te livre de tal, Senhor! E, como nos diz a tradição, o próprio Pedro andava a fugir da Cruz, fugindo de Roma, até que lhe aparece o Senhor e lhe diz que vai a Roma para ser crucificado. Pedro segue, então, Jesus, e acaba por ser também crucificado.
Hoje a arte estragou muito as cruzes. Transformam em obras de arte o que foram dois paus toscos, mal acabados, presos com cordas ou pregos para aí crucificarem um malfeitor que se dizia Filho de Deus. Trazemos e mostramos as cruzes que trazemos ao peito e esquecemo-nos da que trazemos às costas, às vezes tão difícil de carregar.
Hoje a Igreja celebra a Exaltação da Santa Cruz. Não sabemos como era a cruz de Jesus. Entre Santo Lenho e a Vera Cruz, talvez os cristãos a tenham desfeito em pequenas lascas para terem como relíquia. A tradição diz que Santa Helena, mãe de Constantino, peregrina em Jerusalém, encontrou a Cruz de Jesus e a trouxe para Roma, onde ainda lá está uma trave, que se diz ser da Cruz de Jesus. Pouco importa. Importa, sim, os sentimentos que a Cruz nos transmite: humildade, resignação, força, amor, ajuda, solidariedade... e tantos outros que o Mestre viveu e deixou impressos na Cruz.
Exaltemos, portanto, a Cruz do amor. E que a Cruz de Cristo seja o espelho da nossa Cruz, carregada no silêncio e na alegria. Como dizia São Maria Rafael: "No nada e simplicidade da Cruz encontrarás a solução de problemas difíceis de resolver".
(Cruz de barro preto, feita por um oleiro de Fazamões)

Mensagens populares deste blogue

Fátima descaracterizada

A vida de São Macário

Oração para o início de um retiro