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A mostrar mensagens de Abril, 2014

Santos à boleia

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Andam as canonizações à boleia. No ano 2000 foi finalmente reconhecido o milagre para beatificar João XXIII, que os Padres Conciliares queriam beatificar logo após a morte e sem necessidade de milagre, mas que o Papa Paulo VI, prudente, não deixou, dizendo que havia critérios e os critérios são para serem seguidos. João Paulo II aproveitou a boleia de beatificar João XXIII para lhe associar o Papa Pio IX (conhecido pelos que não gostavam dele por Pio No No!). O motivo justificava-se: Pio IX tinha convocado o Primeiro Concílio do Vaticano  e João XXIII o Segundo. (Curiosamente, agora que escrevo, dou-me conta que todos os outros concílios foram sempre fora do Vaticano!) Pio IX foi o Papa do Syllabus errorum (que afastou o diálogo com o mundo), o Papa do dogma da Imaculada Conceição (que afastou o diálogo ecuménico) e o primeiro papa "infalível" (O Concílio decretou mais esse dogma). Não tenho conhecimento do milagre que o fez beatificar mas, como digo, teve o seu momento no …

Ver para crer ou crer para ver?

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Estamos muito habituados à expressão "ver para crer". Inspirada na atitude de Tomé, que iremos escutar neste domingo da oitava da Páscoa, não é de modo nenhum a atitude cristã. Jesus irá dizer a Tomé e aos discípulos que a felicidade está em crer sem ter visto.
Que significa isto? Significa que, com a fé, vem a fidelidade e a confiança. Fidelidade à comunidade que se reúne (como Tomé, se eu não participo não vejo o Senhor) e confiança em Deus que se revela na nossa vida. Celebrar a Páscoa é acreditar em Jesus vivo, ressuscitado e que se junta, na fé, aos que na fé se juntam por ele. Teremos nós fé para acreditar sem ver? Bom domingo!

Caminhar a vida

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Um caminho
Uma história Que se junta a tantas outras De vidas simples ou difíceis Todas com os seus quês E sem grandes porquês Que a caminhar se faz o caminho.
Caminho fácil para uns Difícil para outros O mesmo para todos.
É o sentimento, A intenção Talvez a aflição Que dá cor ao momento.
Um caminho Uma vida Que se percorre a andar; Venham as companhias E com elas alegrias Que eu não quero parar.

Os não esquecidos da Páscoa

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Depois da Páscoa, mais do que fazer avaliações gasto tempo em lembrar aqueles que costumavam estar nas celebrações e, maior parte deles, por doença, não estiveram. Viveram a Páscoa em casa ou no quarto, na cama de um hospital ou a fazer exames; o cansaço da doença e talvez o peso da vida não lhes tenha dado o ânimo que precisavam para participar. "Ainda não é a hora", recebi num mail; "Muito unido", num sms... E assim se fazem presentes, associam-se a nós, que achamos ter mais saúde, ou pelo menos aguentamos mais. Mas não estão esquecidos. Olhamos para a Cruz e vemos em Cristo o seu rosto; e ficamos junto ao túmulo, na expectativa da ressurreição.

O sepulcro vazio

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O Evangelho do nosso dia de Páscoa assenta na notícia do sepulcro vazio. Madalena é que vai anunciar aos discípulos que Jesus não está no sepulcro; horas mais tarde Jesus vai dizer-lhe que vá ter com os discípulos e lhes anuncie a ressurreição. Não sabemos o que se passou na noite de Páscoa, nem a que horas nem como foi. Mas sabemos o essencial: não está no sepulcro, não está morto, vive e continua connosco, para nos ajudar com a sua força. Boa Páscoa!

40º dia da Quaresma

A todos deve chegar a consolação e o estímulo do amor salvífico de Deus, que opera misteriosamente em cada pessoa, para além dos seus defeitos e das suas quedas. (EG 44)

39º dia da Quaresma

Lembremo-nos de que «a expressão da verdade pode ser multiforme. E a renovação das formas de expressão torna-se necessária para transmitir ao homem de hoje a mensagem evangélica no seu significado imutável». (EG 41)

38º dia da Quaresma

Fiel ao modelo do Mestre, é vital que hoje a Igreja saia para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demora, sem repugnâncias e sem medo. (EG 23)

37º dia da Quaresma

Recuperemos e aumentemos o fervor de espírito, «a suave e reconfortante alegria de evangelizar, mesmo quando for preciso semear com lágrimas! (EG 10)

36º dia da Quaresma

Quando um evangelizador sai da oração, o seu coração tornou-se mais generoso, libertou-se da consciência isolada e está ansioso por fazer o bem e partilhar a vida com os outros (EG 282)

Um verdadeiro amigo

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Quer esta crónica prestar homenagem a um amigo meu, dos verdadeiros e dos mais novos, em idade e em relação. Para despistar vou chamar-lhe Bartolomeu, tem três anos e vive na Ajuda de Berço. É uma criança como qualquer outra criança, que gosta de falar, gosta de brincar e tudo o resto, mas em tudo sério. Comigo ainda é tudo muito confuso: ora sou Filipe, ora sou padre ora sou frei. Ontem perguntou-me porque é que eu era Filipe, padre e frade. Lá lhe expliquei que Filipe é o meu nome, sou padre porque rezo Missas e sou frade porque vivo num convento. Disse-me, então, que sabia uma canção que eu gostava. Perguntei-lhe qual era e era a do tenho um amigo que me ama.
O meu primeiro encontro com ele foi quando se teve de despedir do pai e vinha a chorar. Dei-lhe colo, que acalma sempre, e disse-lhe que não era preciso chorar que o pai viria vê-lo mais vezes.
Quando me vê vem ao meu encontro. E pergunta-me se trouxe ovos. Digo-lhe que não, que não sou nenhuma galinha, que as galinhas é que …

35º dia da Quaresma

Não há maior liberdade do que a de se deixar conduzir pelo Espírito, renunciando a calcular e controlar tudo e permitindo que Ele nos ilumine, guie, dirija e impulsione para onde Ele quiser. (EG 280)

A vitória do amor

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A celebração de Domingo de Ramos aparece-nos como um pórtico onde se vislumbra já a Paixão de Cristo, antecipada pela sua entrada triunfal em Jerusalém. De facto, a narração da paixão lida numa celebração dominical introduz-nos como comunidade nos sentimentos de Jesus. Mas também os dos apóstolos. A narrativa começa logo por denunciar a traição de Judas, a negação de Pedro e o abandono e dispersão dos discípulos. Mas Jesus avança. Para a Cruz, para o Amor, para a vida nova que nasce do lado aberto. Como nos situamos diante da Paixão de Cristo tão actual nas paixões dos irmãos? Bom domingo!  

Domingo de Ramos

No meio da nossa entrega criativa e generosa, aprendamos a descansar na ternura dos braços do Pai. (EG 279)

34º dia da Quaresma

A pessoa sabe com certeza que a sua vida dará frutos, mas sem pretender conhecer como, onde ou quando; está segura de que não se perde nenhuma das suas obras feitas com amor, não se perde nenhuma das suas preocupações sinceras com os outros, não se perde nenhum acto de amor a Deus, não se perde nenhuma das suas generosas fadigas, não se perde nenhuma dolorosa paciência. (EG 279)

33º dia da Quaresma

Cada dia, no mundo, renasce a beleza, que ressuscita transformada através dos dramas da história. (EG 276)

32º dia da Quaresma

Se consigo ajudar uma só pessoa a viver melhor, isso já justifica o dom da minha vida. (274)

O trigo foi lançado à terra

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A chegar do Porto, uma viagem que, apesar de cansar, foi necessária e esperançosa. Fui ao Porto para apresentar formalmente três rapazes que querem aprofundar a sua vocação na Ordem Dominicana. A simplicidade da celebração e dos que ali estavam tornaram este momento bonito e acolhedor. O acto formal decorreu na Missa da Comunidade, em que, como disse, apresentei ao Prior Provincial estes candidatos a frades. Opções, verdade, liberdade, futuro, foram as palavras que marcaram a homilia do fr. Pedro. Um pormenor interessante foi que a primeira leitura falava dos três jovens que foram colocados na fornalha ardente.  Depois da Missa e antes do almoço, disse-lhes em tom jocoso, que eu era o que ia aquecer a fornalha sete vezes mais! (Como se ouviu na leitura). Depois disto, então, almoço com a Comunidade e logo de seguida o primeiro encontro com os já postulantes. Tempo para ver em concreto em que é que consiste e o que se pretende. Marcação de datas e encontros (virão a Lisboa fazer exper…

31º dia da Quaresma

Só pode ser missionário quem se sente bem, procurando o bem do próximo, desejando a felicidade dos outros. (EG 272)

Um dia em casa... com Bach

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As saudades foram mais que muitas, como os afazeres dos últimos dias, que chegaram a quase duas semanas. Afazeres que me afastaram deste lugar mas as saudades que me puxaram hoje para cá vir dar sinais. Finalmente um dia em que não tive de sair de casa. Se há pessoas que só estão bem na rua e a fazer qualquer coisa, eu não desgosto de ficar por casa, ainda que a fazer coisas. Foi dia de fazer contas, de acompanhar obras em curso aqui no convento, de receber algumas pessoas, de preparar o dia de amanhã (vou ao Porto para receber três candidatos a frades), de responder a correspondência electrónica atrasada, preparar coisas para a Páscoa, organizar os próximos dias, de arrumar algumas coisas no meu quarto que, com tanta entrada e saída, está num quase-caos... E de fazer o jantar. A cozinheira está de férias e para não sobrecarregar as outras, oriento eu o jantar. Vida de frade, não me queixo, porque foi a que escolhi. Também recomecei hoje as caminhadas que o inverno interrompeu. Andar…

30º dia da Quaresma

A tarefa da evangelização enriquece a mente e o coração, abre-nos horizontes espirituais, torna-nos mais sensíveis para reconhecer a acção do Espírito, faz-nos sair dos nossos esquemas espirituais limitados. (EG 272)

29º dia da Quaresma

Cada vez que os nossos olhos se abrem para reconhecer o outro, ilumina-se mais a nossa fé para reconhecer a Deus. (EG 272)

5º Domingo da Quaresma

Quando vivemos a mística de nos aproximar dos outros com a intenção de procurar o seu bem, ampliamos o nosso interior para receber os mais belos dons do Senhor. (EG 272)

Libertarmo-nos do que nos prende

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No Evangelho deste domingo, já a olhar para a Páscoa, iremos escutar a narração da ressurreição de Lázaro, o maior dos milagres de Jesus. Milagre que é um sinal, palavra que São João usa em vez de milagre, porque ele aponta para o grande sinal e para o maior milagre que é a Páscoa de Cristo. Mas impressiona o relato de Lázaro pela comoção de Jesus, que chora a morte do seu amigo, pela voz poderosa de Jesus que faz reanimar os mortos e pelo que deve ter sido alguém sair de um túmulo, entre as lágrimas das irmãs e o espanto dos vizinhos. A última coisa que Jesus diz neste relato é uma ordem: desligai-o e deixai-o ir. Desligarmo.nos do que nos pode trazer a morte, libertarmo-nos das inimizades, dos medos, do que nos prende, do que nos causa espanto e preocupação e obedecer à voz de Cristo. Que olhar de esperança temos nós diante do desespero dos que mais sofrem? Bom domingo!

28º dia da Quaresma

Quando vivemos a mística de nos aproximar dos outros com a intenção de procurar o seu bem, ampliamos o nosso interior para receber os mais belos dons do Senhor. (EG 272)

O lançamento dos Retalhos

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Aconteceu ontem, aqui no convento, o lançamento dos Retalhos da vida de um Padre. Como algumas pessoas não puderam estar, aqui deixo as palavras de agradecimento que disse na sessão. Agradeço hoje ao Pedro Cabral, o desenho que me enviou.

Algumas pessoas me têm perguntado como é que me sinto. E tenho respondido sempre da mesma maneira: normal.Mas hoje, confesso-vos, estou muito contente com este dia porque não é uma homenagem nem é o meu velório.No lançamento de um livro o último a falar, e deve falar pouco, é o autor.Quando fui à editora assinar o contrato deparei-me pela primeira vez com este título de autor. E pensei: isto é mesmo a sério.Não sei se sou autor no sentido original da palavra porque não criei nada. O que fiz foi contar e interpretar acontecimentos, pessoas e lugares que me tocaram.Mas também não compete ao autor explicar o livro. Hoje compete-lhe agradecer. E é isso que vou fazer.Obviamente que tenho que começar por agradecer à editora Verso de Kapa. Não é um agradeci…

27º dia da Quaresma

Às vezes sentimos a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor. Mas Jesus quer que toquemos a miséria humana, que toquemos a carne sofredora dos outros. (EG 270)

26º dia da Quaresma

A missão é uma paixão por Jesus, e simultaneamente uma paixão pelo seu povo. (EG 268)

25º dia da Quaresma

Para ser evangelizadores com espírito é preciso também desenvolver o prazer espiritual de estar próximo da vida das pessoas, até chegar a descobrir que isto se torna fonte duma alegria superior. (EG 268)

24º dia da Quaresma

O verdadeiro missionário, que não deixa jamais de ser discípulo, sabe que Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. (EG 266)