O lançamento dos Retalhos

Aconteceu ontem, aqui no convento, o lançamento dos Retalhos da vida de um Padre. Como algumas pessoas não puderam estar, aqui deixo as palavras de agradecimento que disse na sessão. Agradeço hoje ao Pedro Cabral, o desenho que me enviou.


Algumas pessoas me têm perguntado como é que me sinto. E tenho respondido sempre da mesma maneira: normal.
Mas hoje, confesso-vos, estou muito contente com este dia porque não é uma homenagem nem é o meu velório.
No lançamento de um livro o último a falar, e deve falar pouco, é o autor.
Quando fui à editora assinar o contrato deparei-me pela primeira vez com este título de autor. E pensei: isto é mesmo a sério.
Não sei se sou autor no sentido original da palavra porque não criei nada. O que fiz foi contar e interpretar acontecimentos, pessoas e lugares que me tocaram.
Mas também não compete ao autor explicar o livro. Hoje compete-lhe agradecer. E é isso que vou fazer.
Obviamente que tenho que começar por agradecer à editora Verso de Kapa. Não é um agradecimento de circunstância. É um agradecimento por se ter interessado nos meus retalhos. Foi por me terem procurado e terem feito a proposta de editar um livro que hoje aqui estamos.
E daqui agradecer a mais duas pessoas, e aqui tenho que dizer os seus nomes: ao Dom Manuel Clemente, Patriarca de Lisboa, que teve amabilidade de escrever o prefácio deste livro. Foi para mim um grande sinal de amizade e proximidade; e ao fr. Pedro que, com as bastantes preocupações e afazeres que tem como frade e como Provincial, aceitou estar aqui hoje a apresentar o livro. Fr. Pedro agradeço-lhe muito as suas palavras simples, sábias e profundas.
E a partir de agora já não agradeço a ninguém em particular.
Tenho agradecer o grande acolhimento que recebo dos lugares onde exerço o meu ministério (um enfermeiro do hospital da Luz comentou uma vez: lá vai o frei para os seus areópagos). Lembro e agradeço a Deus as pessoas que se cruzaram comigo e com as quais construí ou desenvolvi estes retalhos. Agradeço à minha família religiosa, a Ordem dominicana, Ordem que escolhi e que me acolheu, e em especial a este Convento onde vivo com outros irmãos. A família de sangue, que me acolheu há trinta e oito anos e que será sempre uma referência. Ao Externato Marista de Lisboa, onde me sinto em casa e com quem partilho preocupações formativas e pastorais, às minhas duas comunidades dominicais onde partilho e celebro a minha fé, ao hospital da luz, que é para mim um lugar sagrado que muito respeito. Peço desculpa por referir só estes mas é por serem os lugares onde “oficial e regularmente” estou presente.
Agradecer hoje e muito às pessoas a quem a vida e a fé juntou num grupo que é mais que um círculo ou considero-os de certa maneira como uma família. Agradeço-lhes muito o seu interesse por mim e pelos dominicanos e também a generosidade e disponibilidade das suas vidas em ajudarem este convento e, em especial, a preparar este dia.
Mas os agradecimentos ficariam imperfeitos se não agradecesse hoje publicamente e com emoção à Ajuda de Berço. E gostava de oferecer este exemplar a esta instituição que tanto bem faz. Mas antes de o oferecer, deixem-me ler uma passagem da Bíblia que tem estado muito presente na minha vida nos últimos tempos, e creio que alguns se identificarão com esta passagem. É do Evangelho de Marcos, quando Jesus apanha os discípulos a discutir sobre quem seria o maior no reino dos céus. Diz assim São Marcos: [Jesus] tomando um menino, colocou-o no meio deles, abraçou-o e disse-lhes: «Quem receber um destes meninos em meu nome é a mim que recebe; e quem me receber, não me recebe a mim mas àquele que me enviou.»
Queria oferecer, então, este livro à Ajuda de Berço. E, se a Ajuda de Berço me permite, não vou chamar ninguém da Direcção mas vou chamar uma criança, o Afonso para vir aqui ter comigo.
Este menino entrou na minha vida há um ano. É dos mais novos. Ele é um dos retalhos deste livro, o último que escrevi antes de o entregar à editora. Faz para mim todo o sentido que seja ele a ficar com este livro. E digo-vos uma coisa: quando vou à Ajuda de Berço e estou com estas crianças que me dão a honra de estar também aqui hoje, sinto nelas a presença de Jesus e a provocação do Evangelho: era criança e cuidaste de mim ou, para ser mais bíblico: “quem der de beber a um destes pequeninos, ainda que seja somente um copo de água fresca, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa”.
Muito obrigado pela vossa presença, pela vossa amizade e proximidade e espero que gostem do livro. Boa leitura e bem-haja.

Mensagens populares deste blogue

Fátima descaracterizada

A fecundidade do casal

Oração para o início de um retiro