Santos à boleia

Andam as canonizações à boleia. No ano 2000 foi finalmente reconhecido o milagre para beatificar João XXIII, que os Padres Conciliares queriam beatificar logo após a morte e sem necessidade de milagre, mas que o Papa Paulo VI, prudente, não deixou, dizendo que havia critérios e os critérios são para serem seguidos. João Paulo II aproveitou a boleia de beatificar João XXIII para lhe associar o Papa Pio IX (conhecido pelos que não gostavam dele por Pio No No!). O motivo justificava-se: Pio IX tinha convocado o Primeiro Concílio do Vaticano  e João XXIII o Segundo. (Curiosamente, agora que escrevo, dou-me conta que todos os outros concílios foram sempre fora do Vaticano!) Pio IX foi o Papa do Syllabus errorum (que afastou o diálogo com o mundo), o Papa do dogma da Imaculada Conceição (que afastou o diálogo ecuménico) e o primeiro papa "infalível" (O Concílio decretou mais esse dogma). Não tenho conhecimento do milagre que o fez beatificar mas, como digo, teve o seu momento no ano 2000.
Quando morreu João Paulo II voltou a pressão do "Santo Subito". E Bento XVI, também prudente, mandou respeitar os critérios em uso.
Estamos em 2014, recém-chegados das canonizações papais e parece que houve boleia outra vez: João XXIII que estava na prateleira dos candidatos a beatos e a santos "à espera de milagre", apanhou boleia de João Paulo II. As "más línguas" dizem o Papa Francisco se sentiu pressionado pela "ala conservadora" da Igreja para beatificar João Paulo II. As boas línguas (saberemos nós em alguns casos o que é bom e o que é mau...) dizem que é absurdo, que foi para ser festa de arromba. Apesar de eu achar que as beatificações e canonizações não precisam de milagres depois de mortos, porque o que torna uma pessoa santa foi o que viveu, acho ainda com mais razão que os milagres que João XXIII fez em vida justificavam em muito a canonização: a ternura para com as crianças, presos e doentes, a proximidade com as pessoas, o concílio, meu Deus! Que mais milagres quereríamos nós? Graças a Deus que os Papas têm liberdade para ir à "estante dos esquecidos" e os poder mostrar como exemplo.
Como disse, não gosto do critério "milagre" para as beatificações e canonizações. Como também acho que não há vidas impolutas. Como disse São Paulo aos que queriam adorá-lo como a um deus: Somos homens como vós. Não é o pecado que está na base do reconhecimento de um santo mas sim o bem que fez e o Amor com que serviu a Igreja e o mundo. João XXIII esteve lá e João Paulo II também. Que eles rezem por nós.

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