Epitáfio

Hoje é dia de Requiem.
De os ouvir,
de rezar pelos mortos,
acompanhar as orações com um outro gesto,
acender uma vela,
ir a um cemitério, passear, colocar uma flor
ou entrar numa uma igreja
e ouvir uma missa pelos defuntos.
É dia do branco,
do roxo ou do preto,
para quem manifesta os sentimentos com cores.
É dia do Memento homo.
É dia de lembrar os que morreram
e lembrar que também nós morreremos
e que um dia este dia será também nosso.
É dia de ver a vida como uma tenda
ou como uma passagem;
Desta vida como uma não-vida
porque a verdadeira será eterna.
É dia de renunciar ao efémero
de olhar os cedros, altos e esguios,
de ler poemas como quem lê epitáfios,
e parar no que mais lhe toque
como, por exemplo, este:
"A morte é uma flor que só abre uma vez.
Mas quando abre, nada se abre com ela.
Abre sempre que quer, e fora de estação.
E vem, grande mariposa, adornando caules ondulantes.
Deixa-me ser o caule forte da sua alegria
" (Paul Celan).

(A viagem da vida - juventude, Thomas Cole, 1842 )

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