Balanço anual


Entre o fim-do-ano e o ano-novo, empresas e lojas fazem o seu balanço. A Igreja também o fez nas suas instâncias próprias. O Papa, no passado dia 20, fez o balanço institucional: o pesadelo, que não foi pesadelo, foi mesmo realidade, do abuso de menores por parte de padres católicos, o bom êxito do Sínodo dos Bispos para o Médio Oriente, as viagens e a beatificação do cardeal Newman, foram os temas principais do discurso do Papa. Dias mais tarde, foi a vez do Porta-Voz do Vaticano fazer também ele o balanço da actividade do Papa, dizendo que foi o melhor ano do pontificado: as «intervenções exemplares» do Papa em relação à pedofilia com a atitude de "prontidão em ouvir, compreender, participar no sofrimento", as cinco viagens internacionais, uma das quais a Portugal, uma exortação apostólica (Verbum Domini) e o best-seller da entrevista concedida ao jornalista Peter Seewald (Luz do mundo) foi o que mais se destacou em 2010.
Também a Agencia Fides fez o seu balanço. Este organismo do Vaticano vocacionado para as Missões, diz-nos que este ano morreram 23 missionários católicos, vítimas de assassínio ou de assalto/sequestro. São dados preocupantes, que ajudam a pensar na Mensagem do Papa para o dia Mundial da Paz que este ano tem como título "Liberdade religiosa, caminho para a paz".
Nós por cá, todos bem. O Arcebispo de Braga também fez, recentemente, a sua avaliação do estado da Igreja em Portugal: a visita do Papa a Portugal como um acontecimento histórico e em relação ao "Repensar a Igreja em Portugal", projecto audacioso a ver pelo título, que creio vir na sequência da visita dos Bispos a Roma em 2008, as coisas estão mais perras: ainda só fizeram o instrumento de trabalho que está a ser analisado pelos bispos. Depois umas pinceladas pelo interior da Igreja e pela análise política, contas feitas, não dá saldo negativo, e os votos para 2011 são de que "se concretize um modelo de sociedade diferente, alicerçado na fraternidade e na justiça".
Se descermos mais, a nível local/diocesano, não temos muita informação, excepto previsões sobre o 2011, com o fado cantado e recantado da crise...
Mas a ideia de pararmos no fim do ano e fazermos uma avaliação séria do que foi a nossa vida ao longo do ano, além de benéfica é útil, porque nos faz olhar para o passado, ver o presente e projectar o futuro. Gosto sempre de recordar nestes dias, a frase de S. Francisco de Sales: "É necessário abandonar o passado à misericórdia de Deus, o presente à fidelidade, o futuro à divina Providência". E caminhar na alegria e na esperança, apesar dos apesares. E que todos tenhamos um bom ano de 2011, tão bom quanto possível.

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