A caminho dos 800


O dia 22 de Dezembro de 2016 será um dia muito importante para os Dominicanos: os que forem vivos celebrarão, creio que com muita alegria, os 800 anos da aprovação da Ordem dos Pregadores, por Onório III em 1216. Este ano, a caminho destes oitocentos anos, celebramos o 794º aniversário. O que significa esta data? Significa, antes de mais, uma oficialização, querida por São Domingos, para levar o Evangelho da graça aos sítios onde ele ou não era conhecido ou estava deturpado. Pela salvação das almas, pelos pecadores, rezava e chorava muitas vezes São Domingos. Mas é também, como em qualquer instituição, dia de reflexão sobre o sentido da nossa existência. Uma Ordem que nunca teve uma reforma, nunca se dividiu, sempre em expansão, mesmo que poucos, uma Ordem que quis estar no meio da Igreja (in medio Ecclesia), como se diz de São Domingos. No meio da Igreja, não como protagonista, não como exaltação; no meio da Igreja como escolha, para a servir, no meio das preocupações dos que a formam, não se contentando com o que se vai fazendo mas preocupando-se com o que ainda é necessário chegar. Uma missão sem fim nem limites. Não existimos só para os católicos: o nosso horizonte é vasto, queremos dialogar: com quem pensa diferente, com quem acredita diferente ou até com quem não acredita. Queremos estar com os ricos para os ajudar a perceber que a única riqueza é Jesus e que nos temos de desfazer delas para podermos aceder à riqueza maior. Queremos estar com os pobres para que estes não se sintam abandonados. Queremos gritar por mais justiça, por mais paz, por mais solidariedade, por um mundo melhor.
Mas, como qualquer existência, às vezes o real é bem diferente do ideal. Temos que lembrar também - lembrar é fazer justiça - que nem sempre fomos e somos o melhor exemplo: temos a sombra da inquisição que há-de ficar sempre como uma cicatriz que não desaparece, temos a fraqueza das nossas vidas que nem sempre são testemunho do Reino e da graça de Deus.
Mas o real não nos faz desistir. Acreditamos que Deus transforma a nossa miséria, porque onde abunda o pecado pode abundar a misericórdia.
Os dominicanos de 2010 inscrevem-se na corrente dos seus VIP's. Não são importantes porque aparecem no ridículo das revistas cor-de-rosa. São importantes porque foram e querem ser discretos, quase anónimos, e aí trabalhar com a força de Deus e a intercessão de São Domingos.
Hoje é um dia de sentimentos vários para os dominicanos. Para mim junto ainda o da esperança. Que nunca desistamos do ideal de São Domingos e que saibamos resistir à sedução fácil da riqueza, da vida cómoda e do protagonismo.
A quantos hoje aqui passarem peço que rezem por nós, porque a oração une-nos nos sentimentos e nas inquietudes. Obrigado.

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