A segunda etapa


Começou hoje a segunda etapa do Advento: de 17 a 24 de Dezembro a começamos na contagem decrescente para a celebração do acontecimento histórico de há dois mil e dois anos (digo 2010 não por rigor histórico mas por conveniência prática).
Tudo muda nas celebrações das Missas e dos ofícios: antífonas próprias - a partir de hoje cantam-se as "Antífonas do Ó", e até os Evangelhos narram de uma forma mais 'histórica' os dias antes do nascimento de Jesus. Hoje escutou-se a genealogia de Jesus, na versão de São Mateus. É logo o princípio do Evangelho, Mateus terá achado importante fazer uma genealogia de Jesus para o ligar a pessoas importantes como David, Jessé e Abraão. Era importante para Mateus afirmar a ascendência davídica de Jesus e explicar o seu nascimento em Belém - afinal David foi o grande Rei de Israel, nascido também ele em Belém - e era importante inscrever Jesus na linhagem de Abraão, nosso pai na fé e colocado na génese do judaísmo. Afinal tudo tem o seu porquê. E ouvimos dezassete versículos deste primeiro capítulo, nomes estranhos, que pouco ou nada nos dizem e depois terminamos a dizer: Palavra da Salvação. Terá sentido? Para muitos não. Devem desligar ao fim de três nomes ou quando sai algum mais conhecido dizer: ah! esse conheço.Mas tem o seu sentido. Porque é importante dizer que Jesus foi homem como nós. Que os seus antecedentes não foram os melhores (aparecem três nomes de mulheres, Tamar e Raab ambas prostitutas e Rute, uma estrangeira), e os reis, como todos os reis, nem sempre brilharam como estrelas no firmamento... Mas é esta humanidade que nos encharca a todos e que também molhou Jesus por parte do pai (afinal esta genealogia chega a José, "esposo de Maria, da qual nasceu Jesus").
Mas Mateus faz esta lista genealógica para dizer uma outra coisa: é que Jesus é o Cristo, o escolhido de Deus, o seu Ungido. Como dizemos, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. É assim que ele começa o seu Evangelho. E é este Deus-Menino que celebraremos daqui a uns dias: não só um menino, porque seria só um de nós; mas também não só um Deus, porque nos seria estranho. Uma perfeita simbiose: um Menino-Deus.
Para os que quiserem perceber um pouco mais sobre o enredo da genealogia de São Mateus, convido a visitarem no outro blogue (http://aliistradere.blogspot.com/), o o texto que lá deixei "Jesus, homem da nossa raça", escrito por um Dominicano, Herbert McCabe, e traduzida por um outro frade Dominicano português, fr. Matias.
Em relação à imagem deste post, é a da conhecida Árvore de Jessé (que foi o pai do rei David) em que no centro se vê florir o Menino no seio de sua Mãe.

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