Partidas e chegadas

Cheguei a Roma e, no fim deste dia, dedico uns minutos a deixar aqui o que foi este dia de partidas e chegadas. Começar por louvar a TAP que, apesar de sair com uns minutos em atraso, foi a primeira vez que saiu e chegou a horas. Pior estiveram os passageiros do voo anterior, que saíram à mesma hora que nós (3 horas depois!). Viagem tranquila e simpática, quer a do voo quer a da chegada a Santa Sabina, no Aventino, onde costumo ficar hospedado. Mudei de quarto. Estou noutra ala e, da janela do quarto onde estou, tenho um jardim e, logo a seguir a igreja de Santo Aleixo, que tem uma história muito bonita, a do santo, com traços semelhantes à romanceada do nosso fr. Luís de Sousa.
O quarto é diferente: maior, com uma mesa de trabalho antiga - talvez de algum Mestre da Ordem, digo eu, ou de alguém com posses que a tenha oferecido ou se tenha desfeito dela e trouxe-a para o convento. Uma coisa interessante nos conventos seria identificar a origem de tantas coisas que aparecem. Tem também uma estante muito aceitável em madeira, também antiga, e um sofá, não sei para quê. Bem, apesar de não gostar de mudanças esta pode ser benéfica porque onde estava ouvia-se o barulho dos carros, manhã cedo, a saírem da garagem.
De Santa Sabina, e sendo já tradição, fui a São Pedro. Tempo abafado, com pouca fila para entrar, depois os controlos entrei na basílica ao mesmo tempo que tocavam os sinos para a Missa. Apressei-me e ainda consegui concelebrar no altar da Cátedra, diz-se assim para diferenciar do altar da Confissão, onde só o Papa celebra. Missa em latim (não à moda antiga). Concelebraram também um grupo de padres polacos. Um deles, ao ver-me tão em cima da hora ajudou-me a paramentar, não fosse eu atrasar o começo da Missa. Celebrei com uma intenção muito particular: a operação de uma senhora que conheço e que estaria a ser operada àquela hora. Que Deus a conforte. Da Missa fiz as visitas habituais mas mais sentidas desta vez: rezar nos túmulos dos novos Santos Padres João XXIII e João Paulo II. De João XXIII, por quem nutro especial estima, coincidiu ser hoje a véspera de São João (um dos motivos da escolha do nome é por causa de São João Baptista) e estar a terminar de ler a sua biografia. Espero em breve aqui escrever sobre isto.
Visitas feitas, hora de regressar ao Convento. Rezar vésperas, agora em italiano, com a simplicidade do Coro, de melodias simples... um louvor a Deus.
Depois de vésperas, e a caminho do refeitório, os cumprimentos de boas vindas e do habitual "come stai?". Amanhã começa o trabalho que a Roma me trouxe: A comissão litúrgica da Ordem. Desta vez haverá mudanças: uns sairão, outros ficarão e outros ainda assumirão novas funções. Pelo que já ouvi alguma coisa me calhará.
Em Roma o meu dia acaba sempre da mesma maneira: na cela de São Domingos, onde no silêncio e no segredo rezo completas.
E assim saí de Lisboa e cheguei a Roma. Roma é a cidade, depois de Lisboa, onde também me sinto em casa.
(Fotografia do corpo do Papa João XXIII, no Vaticano)

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