São Pedro e São Paulo - unidade e diversidade

Hoje dia, de São Pedro e São Paulo, celebro aniversário de ordenação de diácono. Primeiro grau do sacramento, bem nos chama e apela para o serviço, que para isso se é ministro.
Apesar de não me caber a mim a Missa no dia comunitário, tive que presidir. Aqui deixo a reflexão que preparei:
Esta festa que nós hoje celebramos marca, simbolicamente, a data do martírio dos dois grandes homens que estão na origem da organização e configuração da Igreja: Pedro e Paulo. Duas pessoas muito diferentes, Pedro com uma grande proximidade a Jesus, Paulo faz a experiência de Jesus Ressuscitado, têm actividades diferentes, pontos de vista diferentes, destinatários diferentes – Pedro mais ligado à cidade de Roma e Paulo viajando pelo mundo pagão – mas estas duas colunas da Igreja tiveram sempre o mesmo objectivo: anunciar o Evangelho de Jesus Cristo.
É aliás pelos Apóstolos – embora Paulo não tenha feito parte do grupo dos Doze, reclama para si o título de Apóstolo porque também se sente enviado – que temos o acesso a Jesus Cristo. Foi pela sua pregação, pela experiência que fizeram de Jesus, que nós hoje podemos conhecê-lo e amá-lo melhor. Por isso dizemos que a Igreja é Apostólica: está alicerçada no fundamento dos Apóstolos; nas palavras de Paulo, A Igreja está fundada sobre o alicerce dos Apóstolos e tem Cristo como pedra angular (cf. Ef 2, 20). Os Apóstolos Pedro e Paulo, e os seus sucessores, não são os ‘donos’ da Igreja, mas simplesmente os seus servidores porque estão ao serviço de Jesus Cristo e do seu Evangelho.
Estas duas figuras lembram duas realidades da Igreja que não se opõem mas que se completam: Pedro é a figura da unidade e Paulo da diversidade na Igreja.
Esta festa pode ajudar-nos a perceber que a Igreja de Cristo deve permanecer unida – não se quer dizer uniformizada. E também deve despertar em nós a diversidade – a riqueza da diversidade – de que não há uma só maneira de viver em Igreja.
Pedro e Paulo lembram a todos nós que, como eles devemos ser anunciadores e testemunhas de Jesus: o anúncio lembra-nos a universalidade da mensagem de Jesus, o testemunho lembra-nos a fidelidade ao Evangelho.
O ministério apostólico de Pedro e Paulo lembram-nos que devemos exercer a nossa missão na Igreja com humildade. Não querendo esquecer as lágrimas choradas pela traição feita a Jesus, diz a tradição sobre a vida de Pedro que o quiseram crucificar como tinham feito com Jesus mas ele, no momento da crucifixão, pediu que fosse crucificado de cabeça para baixo porque não merecia ser tratado como o seu Mestre.
No caso de Paulo, embora não haja um exemplo claro de humildade, pelas suas cartas vemos que, muitas vezes, foi humilhado, maltratado, incompreendido por causa do Evangelho. Aliás, Paulo de perseguidor passou a perseguido.
A nós é-nos pedido que continuemos na fidelidade a Jesus como o fizeram estes Apóstolos, e assim continuar a apostolicidade da Igreja. A Igreja é apostólica porque, através dos sucessores de Pedro e Paulo continua ligada á sua origem: Jesus Cristo. A Igreja continua a ser apostólica porque também hoje é enviada ao mundo onde é chamada a estar presente e a dar respostas e assim manifestar o amor de Deus para com a humanidade.
Que São Paulo e São Pedro nos despertem a consciência de que se cristão é mais do que um credo ou cumprir leis. Nós, á semelhança deles, saibamos viver a nossa fé na alegria e na fidelidade.
Como escreveu Santo Agostinho sobre esta festa: Amemos e imitemos a sua fé e a sua vida, os seus trabalhos e sofrimentos, o testemunho que deram e a doutrina que pregaram.
Fotografia: Pedro e Paulo, nos azulejos da Basílica da Santíssima Trindade - Fátima

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