Pai, perdoa-lhes que não sabem o que fazem

(No tempo da Semana Santa há uma tradição da pregação sobre as sete palavras de Cristo na Cruz. Hoje faço uma pequena reflexão sobre a primeira frase de Cristo na Cruz.)
"Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem" (Lucas 23, 34). Depois de grandes precipitações e injustiças, condenação e violência, depois de crucificado Jesus reza ao Pai. Não por ele mas por aqueles que, não atingindo o alcance da maldade cometida, não sabiam o que estavam a fazer. E não sabiam mesmo. Por um lado não sabiam que estavam a matar o autor da vida e, por outro, não sabiam que aquela desgraça nos trazia a Salvação.
A primeira palavra de Jesus é uma oração de perdão. Aquele que tinha explicado a Pedro que o perdão teria de ser infinito, como infinito é o amor, aquele que solenemente dizia às multidões para amar os inimigos e rezar por aqueles que nos odeiam é o mesmo que agora, em atitude reconciliadora, pede perdão a Deus por eles.
Grandes palavras e grande exemplo o de Cristo na Cruz. Nas dificuldades da vida, rezar; nas incompreensões, rezar; nas injustiças, rezar; nas injúrias, rezar; nas ciladas, rezar; nos maltratos, rezar... rezar sempre e pedir perdão a Deus por aqueles a quem a maldade cegou.
Hoje, ao olharmos para o Crucificado, sentimos nos seus lábios a repetição desta oração. Sim, continua a repetir hoje a mesma oração de sexta-feira santa: Pai, perdoa-lhes (aos promotores de guerras e de violências, aos negligentes, aos insensíveis diante da dor humana, aos que humilham e desprezam os mais fracos), perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o alcance da maldade que andam a fazer.

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