Fenómenos estranhos



O meu silêncio no blogue deve-se, essencialmente, a duas coisas: trabalho e arrumações de ano novo. So hoje acabei de me desfazer de papelada, e que quantidade de papel tinha armazenada, de coisas que, se calhar, daqui a uns tempos irei procurar e não encontrar. Mas isso é só daqui a uns tempos. Mesmo assim foi uma actividade divertida: ver o que arrumo, que na altura achei importante e que agora não faz muito sentido conservar, os artigos que fotocopiei, as sebentas do curso de teologia (dos apontamentos desfiz-me há já uns anos), dos cursos de música e das pautas... Enfim, fiquei reduzido a quase nada e dos estudos de Teologia ficam apenas dois arquivadores: o da minha tese de licenciatura (recordação afectiva) e o da tese de mestrado, que ficou para me lembrar que tenho este assunto ainda pendente.
Gostava, mas não o vou fazer, de falar das vergonhas das campanhas eleitorais. De acções compradas em saldos, etc. etc. Isto de um presidente em exercício fazer campanha eleitoral para um segundo mandato é muita misturada a juntar à misturada do que fez, do que não fez e do que devia ter feito. Não é nada contra o concorrentes ao cargo (a palavra concorrente é de propósito), mas engane-se quem pense que o galo que vier a ocupar o poleiro vai cantar modas diferentes.
Outro assunto, bem mais sério, que tem sido motivo de conversa em muitos sítios é o da morte de Carlos Castro. Coisa estranha o aconteciemnto e o seu prolongamento. Tenho pena que se esteja a deslocar o tema do assunto: o que importa saber são os motivos que levaram este rapaz a matar um homem com quem foi viajar ou saber a sua orientação sexual? E, mais uma vez, a moda aparece ligada a tristes acontecimentos: não bastava os escândalos de anorexia ligados à gente da moda, como agora se vê que, para se subir na vida e ter fama e protagonismo, vigora a lei do vale tudo, da predação, como por exemplo, acompanhar Carlos Castro, fazer-se passar por seu companheiro, viajar com ele, dormir com ele no mesmo quarto e, depois, tortura-o e mata-o para o livrar da homossexualidade e vir dizer que ele próprio não é o que toda a gente andava a pensar. Aqui acredito no rapaz, em relação ao que diz de si. No entanto, para mim, este tipo de pessoas tem um nome: prostitutos de luxo.
E ontem, vinha eu do hospital a caminho da Missa da tarde, quando reparo que no metro anda gente em cuecas. Sim, isso mesmo. Rapazes e raparigas da cintura para cima bem cobertos, e da cintura para baixo só a cueca e os sapatos. Pensei: deve ser alguma manifestação a favor ou contra o rapaz que matou o Carlos Castro (fiz esta associação porque as imagens do rapaz são sempre dele num desfile em cuecas). Uns riam, outros gozavam e eles na boa. Mas afinal não era nenhuma manifestação. Vi mais tarde a reportagem e descobri finalmente o sentido do que tinha visto: era o dia do não stress. E achei piada ao comentário que uma senhora fez: então para aliviar o stress é preciso andar de cuecas? O que se faz para aliviar o stress... Eu rasgo papel, outros andam em cuecas e outros matam. Tudo fenómenos estranhos.
(esta imagem não tem nada a ver com o papel que deitei fora... sou mais arrumadinho)

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