Os ventos do Vaticano

Os ventos do Vaticano trazem boas notícias. Não é que eu saiba muito ou seja um priveligiado em relação a notícias mas, pelo que vou lendo, creio que a coisa está bem encaminhada. Pelo menos começou bem. Vejamos:
1. Bento XVI, o papa emérito (eu teria preferido que ficasse bispo emérito de Roma), tem passado dias calmos, a que diríamos nós, de lazer: reza, estuda, escreve e toca piano. Parece-me bem, porque, depois de tanto desgaste, bem precisa descontrair.
2. O teólogo Hans Küng escreveu um artigo interessantíssimo sobre o próximo conclave. Escreveu-o para o The New York Times. Não tenho notícia de que tenha sido publicado em qualquer jornal português... É pena. Ele, que se intitula como o "único teólogo do concilio no activo" (o outro era Bento XVI que já se retirou), diz que este conclave tem de levar a uma mudança na Igreja: "Sendo eu o último teólogo no activo que participou no Concílio Vaticano II (com Bento XVI), pergunto-me se não haveria no início do conclave, como ocorreu no início daquele concílio, um grupo de cardeais corajosos que consiga encarar os católicos romanos radicais e exigir um candidato disposto a se aventurar em novas direcções. Isso poderia ocorrer num novo concílio de reforma ou, melhor ainda, uma assembleia representativa de bispos, padres e leigos". Exageros à parte, concordo com ele na ideia dos "cardeais pastores" travarem a pressa dos "cardeais da Cúria romana" em eleger quanto antes o novo papa.
3. Parece que os cardeais leram o artigo de Küng. Já uns quantos se manifestaram no sentido de que há assuntos a debater e problemas a resolver e calma lá com as pressas que as pressas dão em vagares. Escolher o próximo papa é importante mas mas importante é que o pobre eleito saiba ao que vai. Algumas pessoas estão apreensivas em relação às dicussões dos cardeais... Não tenham medo. Basta ler as passagens dos Actos dos Apóstolos e o realto de São Paulo, na Carta aos Romanos, para perceber que, de um problema discutido à luz de Deus, sairá sempre uma boa solução.
4. O mundo (se quisermos ser mais concretos a comunicação social) está mais interessado nos perfis dos que podem ocupar a cadeira de Pedro: idade, altura, origem, tendências religiosas, pontos a favor e pontos contra. É um conclave alternativo, lamentando eu que se esteja a resvalar para uma imprensa religiosa cor-de-rosa.
5. Um dos cardeais, à saída de uma assembleia, questionado sobre o perfil do próximo papa respondeu: estamos à procura de um São Francisco de Assis. Metáfora, claro está, para dizer que é preciso um homem evangélico, pobre, humilde e casto, que não veja o trono como promoção mas como serviço, com capacidade de afastar e neutralizar os fariseus e de se aproximar daqueles que Jesus mais ama. Um homem que actualize o Evangelho e que traga a novidade de Jesus aos velhos hábitos e aos preconceitos de sempre, um homem que goste mais de acolher do que excomungar, que prefira ir ao encontro do que ficar à espera que venham ter com ele... E eu pergunto-me: porque não procuram um cardeal parecido com São Domingos?
(Imagem: São Pio V, o último papa dominicano)

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