A fecundidade do casal

Quarto tema do CPM: A fecundidade do casal. Assim como colocamos a questão: o que é que torna fecunda uma relação?, podemos dar-lhe a volta e perguntar igualmente: o que é que torna estéril uma relação.
No tema anterior falou-se de diálogo e gestos de amor. Agora aparece este tema que, à primeira vista, pode levar a pensar que é falar sobre os filhos. Mas, a fecundidade do casal vai para além dos filhos.
Em cada casamento na Igreja, momento a partir do qual um contrato se torna numa aliança, ouve-se a mesma voz de Deus, a do início da criação do homem e da mulher: "Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra". A partir do compromisso de viver uma relação em Deus, aí começa a fecundidade do casal. Como uma semente lançada à terra e da qual se espera que venha a dar flor e depois fruto.
Mas, de facto, os filhos, são um sinal da fecundidade do casal. Não exclusivo porque, como já se disse, a fecundidade do casal não se esgota nos filhos. Por isso, os filhos não vêm provar que o casal é fecundo mas são um dos resultados do amor que sentem um pelo outro. Por isso, numa relação abençoada por Deus, os filhos são, naturalmente, dom de Deus. E é assim que o casal se coloca em relação à vida: numa atitude de abertura à vida, como dom.
O egoísmo, a tendência de viver um para o outro e os dois para os filhos pode esterilizar o casal e a família. A esterilidade traz decepções e desgastes. O amor tem outros horizontes para além de mim e de nós: "Amar é, essencialmente, dar-se a outro e aos outros" (Michel Quoist).
Um casamento fecundo é quando os dois se colocam numa atitude de renascimento quotidiano, de transformação a uma nova maneira de sentir, de agir, de rezar... que completa e enriquece. O casamento é fecundo quando o casal percebe que tem nas suas mãos o seu futuro, que cada um deve colocar a sua parte, ou seja tudo. O casamento fecundo traz harmonia e em felicidade. Um casamento fecundo não se constrói só com as coisas boas. Um casamento fecundo é o resultado de um esforço comum de amar o outro e amar os outros. Ser fecundo é dizer sim.
A "fecundidade prática" nasce daqui. Mesmo a adopção, que muitas vezes a vemos como a alternativa a uma impossibilidade. Adopto porque amo. Qualquer criança, nascida do amor do casal ou conquistada por amor, tem de ser adoptada, ou seja, desejada, querida; tem de nascer da vontade do casal em amar e ser amado, em ser feliz e fazer feliz.
Finalmente a fecundidade social e eclesial do casal. Perceber que o nosso testemunho ajuda na construção da sociedade e da Igreja. Edificar é fecundar. Estar aberto às necessidades da sociedade e da Igreja para construir o Reino de Deus no mundo dos homens.
Termino com a imagem evangélica do fermento e do sal. Dois ingredientes que, por si nada valem mas que, quando se juntam a outros fazem toda a diferença ao produto final: o sal dá sabor e o fermento leveda a massa. É este o desafio para o casal para si e para os outros. 

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