Nova situação - Novas exigências

O quinto e penúltimo tema do CPM é dedicado às alterações que o casamento traz: uma nova situação que traz novas exigências.
Uma primeira coisa a reter, e que esteve presente em todos os temas, é que estamos a falar de amor. Que, no casamento, significa entrega. Amor é por natureza doação. No casamento o compromisso que os noivos fazem é porque confiam a sua vida no outro; como se um dissesse ao outro: entrego-te a minha vida. E, por isso, o mais importante é que o amor se partilhe numa entrega total ao outro. É a partir daqui que vem a partilha das coisas, que é igualmente importante, mas que acaba por ser um pormenor.
Quem vê o amor como esta entrega, esta doação percebe que não deve nunca desistir de amar nem nunca se deve arrepender de ter amado. Só um egoísta pode vir a cobrar o tempo que amou.
É também óbvio que todos temos de aprender a amar. Porque a nossa natureza é a de sermos egoístas. Ora, se o casamento é doação, então tenho de sair da minha concha, do meu eu, da minha felicidade. O amor desafia-me a, por um lado, pensar sempre mais em amar que ser amado e, por outro, a querer constantemente partilhar uma vida. Viver com, casar com é, como se lê na Bíblia, passar a ser uma só carne. Se não há amor nem entrega, o casamento pode reduzir-se a duas solidões que vivem juntas.
Quando decido partilhar a minha vida com o outro que é o destinatário do meu amor, apercebo-me que esta nova situação traz novas exigências. Eu, o outro, todos, temos defeitos, erros e feitios. Alguns deles teremos de aceitar mas noutros tem que haver mudança. E quem aceita, cede ou muda por amor, está a dar uma grande prova de amor.
Porque erramos, temos defeitos e o nosso feitio, o perdão tem de entrar no casamento. É uma nova e frequente exigência. Perdoar verdadeiramente é esquecer. Mas o que significa esquecer? Que tenho de apagar da minha memória a falta do outro? Nalguns casos seria o ideal. Mas o perdão, à luz de Deus, é não fazer do erro ou do pecado do outro uma pedra de arremesso para atirar na próxima ocasião. Perdoar é próprio de quem ama. Quem não ama não perdoa e quem não perdoa não ama. Só não perdoa quem nunca foi ferido.
Perdoar exige diálogo. No Evangelho, Jesus propõe sempre o diálogo para poder entrar o perdão: "Se o teu irmão tem alguma coisa contra ti, vai falar com ele". Esta é uma exigência especial para o casal cristão. Não esperar que o outro venha, não deixar passar os dias enfiado no meu amuo... ir ao encontro do perdão através do diálogo. A dois. Uma relação a dois é uma realidade demasiado íntima e sagrada para ser profanada em publico. Quando perdoo e esqueço, à maneira de Jesus e dos cristãos, estou a transmitir um amor que já tem sabor a divino.
O casamento obriga-nos a largar umas coisas e a ganhar outras. Deixará pai e mãe, diz a Bíblia. De facto, não se casa com os sogros nem com a família toda. Mas não os posso ignorar. Não deixaram de existir. Os filhos, mesmo casados, têm o dever de estar presentes e de acompanhar os pais (seus ou do outro) nos momentos de mais dificuldade das suas vidas, como a doença, a velhice ou a solidão.
Para finalizar, deixo aqui um vídeo que o casal que apresentou este tema nos mostrou na sessão de hoje:

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