Lutas de galos em rescaldo de eleições

Passaram as eleições sem vencedores nem vencidos. Para não ser tão pessimista, as eleições tiveram um vencedor que foi o povo que manifestou o seu descontentamento (curiosamente fiquei este ano muito admirado pelos mais novos que não votam por descontentamento). Mas os partidos são como as lutas de galos: picam-se até ao sangue, depois recompõem-se para voltar a lutar na ronda seguinte. Raramente acabam em cabidela. Os analistas dizem que há derrotas, que há vitórias, que sinais, que há consequências... Os vencedores incham-se e pavoneiam-se, os perdedores desvalorizam a derrota valorizando o acto democrático. Mas quem ganhou ou quem perdeu não foi por mérito próprio: foi porque o povo está descontente. Não é mérito dos candidatos (sobretudo dos grandes candidatos) nem muito menos dos partidos (há pouco por onde escolher). O mérito é do povo e a pena é que o povo só se possa manifestar deste modo: alternando os galos que têm direito ao poleiro por algum tempo. Fraca democracia.  E, agora, os derrotados, coitados, para onde irão? Fundo desemprego? Irão cumprir os mandatos de segundo plano onde o povo os meteu? Certamente que não. Agora vem o prémio de consolação, ou seja, as empresas e lugares de chefia prometidos a quem perdeu. O que ninguém analisa é o descontentamento que se manifestou na abstenção. Ainda gostava de saber qual a faixa etária mais significativa de quem não vota... Os mais novos, que são o futuro do país andam descontentes e já não entram no esquema da alternativa como punição. Os mais novos não vão votar e ponto final. Quanto ao resto, continua tudo igual: sem dinheiro não há grandes obras a fazer... Pode haver crise de dinheiro mas não há crise de quem nos governe... ou desgoverne!

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