Árvore de Jessé

Na Capela do Santíssimo da igreja do Convento de Fátima está pintado um fresco de Ferdinand Gehr: a Árvore de Jessé.
Eu que já estive tantas vezes no Convento de Fátima nunca consegui perceber o alcance desta pintura. Foi o fr. Marcos e depois a leitura de um óptimo livro sobre a Arte Sacra em Fátima que me desvendaram o sentido das cores e das formas. Aqui ficam alguns pormenores da pintura:


Aqui temos a visão geral da pintura. Infelizmente não consegui tirar a fotografia ideal. Mas façamos o percurso. O painel divide-sem duas partes, que é dizer, em dois mistérios: o mistério da Encarnação e o mistério da Redenção. Ao fundo, do lado esquerdo, vemos o tronco de uma árvore, tronco com duas folhas emolduradas com o verde, cor da natureza e da esperança. Essa árvore tem uma copa onde estão duas figuras: Maria e o Menino Jesus. Por cima da figura de Maria vemos uma nuvem, símbolo bíblico da lembrando a passagem do Evangelho na Anunciação: "O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra". E aqui está representado o mistério da encarnação. Ainda ao funco mas do lado direito, temos uma cruz com um coração e doze silhuetas. É o tema da Última Ceia, que resume o mistério da Redenção.


Este pormenor do fresco representa a copa da árvore onde culmina, na árvore de Jessé, toda a história da Salvação. Vemos então representados Jesus e Maria. Maria com a silhueta, de mãos abertas - atitude de disponibilidade e de acolhimento - com aquele fundo azul, sinal do céu. Do outro lado, em tamanho grande, a figura de Jesus.


Este pormenor, como já disse, representa o mistério da Redenção, que tem o seu principal momento na Cruz. Esse momento foi anteciapado por Jesus, na Última Ceia. A morte de Jesus na cruz foi um acto de amor, daí que Gehr tenha colocado à volta da cruz um grande coração. É o Amor que nos salva. Os doze personagens são os Doze Apóstolos mas são também todos aqueles que se reúnem à volta da Eucaristia, em cada Domingo, para celebrar este Sacramento de Amor.

Falei de Encarnação, de Redenção mas parece faltar o mistério da santificação. Ele está presente nesta pintura. É que a Eucaristia santifica-nos e, por isso, estes doze personagens não fazem uma roda fechada à volta do coração mas é uma roda aberta (vê-se melhor na primeira imagem), onde cada um de nós pode imaginar o seu lugar e sentar-se à mesa.

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