As chagas de Cristo

"Pelas suas chagas fomos curados". Isto escreveu São Pedro, numa das suas cartas, para dar sentido ao que poderia ser vergonha: a cruz e as chagas de Cristo. Hoje Portugal celebra a festa das Cinco chagas de Cristo. Não numa dimensão pesarosa como às vezes vemos nos quadros de arte, anjos que guardam o corpo chagado de Cristo, mas em atitude de triunfo. Triunfo patriótico - atribui-se a vitória da Batalha de Ourique às chagas de Cristo - mas, sobretudo, um triunfo espiritual. Saber que aquelas chagas são sinais de um amor maior, de amor até ao fim, chagas que nos curam, chagas onde podemos refugiar-nos, chagas que podemos trazer gravadas no nosso coração.
No século XVI, um frade arrábido, frei Agostinho da Cruz, homem culto e de grande mística, escreveu um soneto às chagas de Cristo, que ficou marcado na História da poesia, e que hoje vale a pena parar para rezá-lo:
Divinas mãos, e pés, peito rasgado,
Chagas em brandas carnes empremidas,
Meu Deos, que por salvar almas perdidas,
Por elas quereis ser crucificado:
Outra fé, outro amor, outro cuidado,
Outras dores às vossas são devidas,
Outros corações limpos, outras vidas,
Outro querer no vosso transformado:
Em vós se encerrou toda a piedade,
Ficou no mundo só toda a crueza;
Por isso cada um deu do que tinha:
Claros sinais de amor, ah saudade!
Minha consolação, minha firmeza,
Chagas de meu Senhor, redenção minha.
(imagem: Bernardino Lanino, Séc. XVI)

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