Quem é Jesus para nós?


Esta pergunta é uma derivante da pergunta que hoje se ouvia no Evangelho. Jesus faz duas perguntas aos discípulos: o que é que é que dizem as pessoas dizem que é ele e o que é que os discípulos dizem que ele é. Esta é uma pergunta básica, necessária, para conhecer e seguir Jesus. Nas últimas semanas tem passeado pelos mails - pelo menos pelo meu e por mais alguns - uma descrição de Jesus feita por Publius Lentulus, um senador romano do tempo de Jesus que, numa carta a Tibério, acaba por descrevê-lo. Um ou outro mail faziam-me a pergunta se era credível o texto. Vou aqui reproduzi-lo mais para divulgação e interesse histórico do que pelo grande interesse que tenha para esta minha reflexão: "Sabendo que desejas conhecer quanto vou narrar, existindo nos nossos tempos um homem, o qual vive actualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é tido como o profeta da verdade, e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do céu e da terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado; na verdade, ó César, em cada dia se ouvem coisas maravilhosas desse Jesus: ressuscita os mortos, cura os enfermos, numa só palavra: é um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto, e há tanta majestade no rosto, que aqueles que o vêem são forçados a amá-lo ou temê-lo. Tem os cabelos da cor amêndoa bem madura, são distendidos até às orelhas, e das orelhas até as espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes. Tem no meio da fronte uma linha a separar os cabelos, na forma em uso entre os nazarenos, o seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vê na sua face, de uma cor moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis. A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio, o seu olhar é muito afectuoso e grave; tem os olhos expressivos e claros, o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo o seu semblante, porque quando resplende, apavora, e quando ameniza, faz chorar; faz-se amar e é alegre com gravidade.
Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar. Tem os braços e as mãos muito belas; a falar, contenta muito, mas faz raramente e, quando dele se aproxima, verifica-se que é muito modesto na presença e na pessoa. É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante à sua mãe, a qual é de uma rara beleza, não se tendo, jamais, visto por estas partes uma mulher tão bela.
Porém, se a tua majestade, ó César, deseja vê-lo, como no aviso passado escreveste, dá-me ordens, que não faltarei de mandá-lo o mais depressa possível. De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada. Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém na sua presença, falando com ele, tremem e admiram-se. Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram, jamais, tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus; muitos judeus o têm como Divino e muitos se me queixam, afirmando que é contra a lei da Tua Majestade; eu tenho sido grandemente molestado por estes malignos hebreus. Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles eu o conhecem e com ele têm praticado, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém à tua obediência estou prontíssimo, aquilo que Tua Majestade ordenar será cumprido.
Vale, da Majestade Tua, fidelíssimo e obrigadíssimo...
Públio Lentulus, presidente da Judeia Lindizione sétima, luna seconda
".
Este texto diz tudo e não diz nada. Diz tudo porque, enquanto documento histórico, ficamos a ter uma imagem poética de Jesus "cabelos cor de amêndoa bem madura..., no seu rosto resplandecem raios de sol...", mas não dizem nada porque lhe falta aquilo que nós, que nunca vimos Jesus, sabemos dizer pela fé. Então, esta pergunta de Jesus: quem dizeis vós que eu sou?, ou então, para ser mais directa: quem sou eu para vós?, é a pergunta à qual nenhum de nós se poderá esquivar. E não basta responder como os outros ou até com muitas doutrinas aprendidas. Jesus há-de ser para nós, o que nós formos para ele. Tudo o resto são só retratos.

Mensagens populares deste blogue

Fátima descaracterizada

A vida de São Macário

Oração para o início de um retiro