O que é ser feliz

Às vezes perguntam-me se sou feliz. Acho que sim. Apesar de... Qual é a felicidade que se constrói sem tristezas, aborrecimentos, fadigas, trabalho, desânimos, o não que temos de dizer... Não é a capacidade de resistir e vencer o mal que faz conseguir o bem e a felicidade? Costumo dizer que sim, que sou feliz. E, às vezes, como tanta gente, não estou feliz mas continuo a achar que sou feliz.
Ontem, no hospital - há muito que não escrevo sobre o quotidiano hospitalar -, foi um dia em que juntei o estar feliz com o ser feliz: levar um doente à Missa porque os maqueiros estavam com muito trabalho e, no caminho, conversar com ele sobre a vida; ir ao quarto de outro doente que há muito tempo não se confessava e comungava e depois, entre lágrimas, reconciliar-se e querer ser melhor; ir dar a comunhão a uma senhora que está mal e ouvi-la dizer que uma das grandes alegrias que tem é a de os senhores padres passarem no quarto dela para conversarem com ela e levar-lhe a comunhão; passar por uma administrativa e parar para conversar como está a correr a preparação para o baptismo; conversar com os enfermeiros sobre a minha vida, a fazerem perguntas - os porque nãos da Igreja - e no fim conseguir um grupo de quatro que se querem crismar... Isto para mim é felicidade. Não escrevo isto para me gabar, não é porque tudo me correu bem mas porque o que me corre bem é maior que as preocupações e as tristezas. E sim, com a felicidade dos outros também eu sou feliz.
(Jean-François Millet, Colheita do trigo: Verão, 1874. O porquê desta imagem? Porque o trabalho traz felicidade)

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