As Quartas da Quaresma


O Convento onde vivo teve a ideia de promover, em cada quarta-feira da Quaresma, um final de tarde/princípio de noite, dedicado à celebração, oração e silêncio. Começa às 19.15h, com o jantar e termina pelas 22h, com a oração de Completas. Infelizmente não posso desfrutar destas quartas-feiras porque a sua preparação recai sobre mim. Tenho pena mas não me importo. Prever tudo o que vai acontecer, desde as inscrições das pessoas que querem tomar uma refeição ligeira em silêncio, escolher a música que se vai ouvir durante a refeição (hoje será música coral ortodoxa), preparar os textos de apoio à meditação, as fotocópias dos salmos das Vésperas e das Completas, o pôr a mesa, coisa que os pais mandam fazer aos filhos, supervisionar a refeição... tudo isto entendo como serviço. E faço-o em silêncio, com a ajuda de uma empregada.
Há muitos anos atrás, confessei-me a um padre do pecado de me distrair nas missas por causa dos cânticos que tinha que cantar... que preferia não estar tão envolvido para poder estar descansado na Missa. O padre deu-me uma resposta confortante: não te preocupes. Mesmo que não rezes estás a ajudar os outros a rezar, e isso é importante.
Mas sobretudo agrada-me muito a ideia de ser um convento a promover estes espaços. Às vezes há pessoas que se queixam das muitas escadas que têm de subir para vir ao Convento. Tenho pena que não percebam que há como que um desligar do barulho. Depois de subir as escadas o barulho acaba e o silêncio começa, vê-se o branco do convento que convida à interioridade e entra-se num outro mundo, o da oração e do silêncio. Cá em cima podemos olhar para baixo, onde as pessoas passam e os carros apitam ou esperam a vez da sua passagem. Dou graças a Deus porque esta casa onde vivo é uma casa aberta. Não para o barulho nem para a confusão, mas para o refúgio e a tranquilidade que muitas vezes a cidade não nos consegue dar.

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