Dominus flevit - o terror da guerra e das lágrimas de quem sofre

Se esta imagem o arrepia e comove é bom sinal. É sinal que ainda tem sentimentos e que a violência não leva a lado nenhum. Se as lágrimas lhe vieram aos olhos ou correrem pela cara, não pense que é caso único. Também o Senhor chorou sobre Jerusalém. E não desvie o rosto. Estas crianças mortas há dois dias merecem a nossa compaixão.
Hoje, quem for à Missa, ou leia o evangelho do dia vai deparar-se com esta passagem, que eu tiro da bíblia dos capuchinhos por ser mais fiel à tradução do que a tradução litúrgica: "Quando se aproximou, ao ver a cidade (de Jerusalém), Jesus chorou sobre ela e disse: «Se neste dia também tu tivesses conhecido o que te pode trazer a paz! Mas agora isto está oculto aos teus olhos. Virão dias para ti, em que os teus inimigos te hão-de cercar de trincheiras, te sitiarão e te apertarão de todos os lados; hão-de esmagar-te contra o solo, assim como aos teus filhos que estiverem dentro de ti, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, por não teres reconhecido o tempo em que foste visitada".
Dominus flevit, o Senhor chorou. Chorou sobre Jerusalém, sobre a cidade e os seus habitantes. Não sabem o que é a paz nem quem a traz. Não conhecem a concórdia nem a injstiça dos ataques.
Ao ler hoje esta passagem do Evangelho não podemos ficar indiferentes à violência que, de quando em quando, irrompe naquela terra que chamamos santa. O Deus dos judeus e o Deus dos muçulmanos é incompatível com qualquer ação de violência. Deus não se chama guerra, Deus tem o nome de paz.
Hoje não só Raquel nem Jesus choram sobre Jerusalém. Raquel chorava pelos sonhos mortos de seus filhos, Jesus chorou por aquela cidade de paz (tradução literal da palavra Jerusalém), que vive em permanente guerra e nós choramos porque em vez da promoção da tranquilidade continuamos no tumulto.
Nestes dias, nas nossas orações, temos de pedir ao Deus da paz que ilumine aquele povo quase sempre em conflito. Que eles percebam que numa guerra ninguém tem razão e que, na paz, não há vencedores nem vencidos.

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