O Vesúvio e o dilúvio

Cá estou eu em Nápoles. Na verdade, fora de Nápoles. O grande convento de Madona Dell‘Arco fica já fora da cidade, e até, juridicamente, a outra diocese.
Dois dias para visitar a cidade. E o que se aprende quando se é conduzido por gente destas regiões. Ontem levaram-me a ver o centro da cidade: Il duomo, a igreja do convento de San Domenico Maggiore, e mais outras igrejas importantes. E passear por umas ruas estreitas em que o comércio é quase exclusivamente dedicado ao presépio. Pois é, parece que aqui em Nápoles os presépios são muito importantes. Quase uma ofensa não saber isto. Lá me redimi, mostrei muita importância a esta tradição. E, de facto, nas ruas quase não se consegue andar com o movimento e as bancas com as peças para o presépio. Na Catedral montaram um com o cardeal de joelhos a adorar o Menino; nas ruas vêm-se á venda figuras públicas em terracota, inclusivamente o papa. Tradições.
Este convento é um grande convento. Atualmente não poderia receber nenhum Capítulo Geral, como já aconteceu não há uns anos atrás. Mas os tempos mudaram, as celas do séc. XVI tiveram que ser adaptadas e de cada duas ficou uma. Os frades, muito simpáticos e atentos, não me deixam faltar nada. Ontem, no recreio semanal com os noviços, levei-lhes uma garrafa de vinho do Porto. Sucesso garantido. Hoje mostraram-me a sala do Capítulo e a sala do Conselho. Uma riqueza. Lá estão guardadas as peças mais valiosas do Convento. Entre as quais vários presépios napolitanos diante dos quais, depois da lição de ontem, valorizei como “bellissimi”! O jantar foi uma agradável surpresa. Estava programado uma pizza já que a dita é napolitana. Mas, como tínhamos de ir buscar o mestre de noviços, que estava a pregar um retiro aos seus pupilos, quando chegámos ao convento de Nápoles tínhamos mesa posta. O repasto preparado por um irmão cooperador. Tudo muito saboroso. Tive a alegria de ficar com os noviços. Entre o italiano e o inglês lá falámos da minha província, da Ordem e da liturgia, este último tema muito estimado por todos. Terminei dizendo-lhes que em relação a tudo na nossa vida, mas sobretudo a questões litúrgicas, mais importante do que saber como se faz, deve saber-se porque se faz.
Este ano, pela primeira vez, têm cá o noviciado comum das três províncias de Itália. Encontrei um noviço do Brasil. Razões várias, que não importa aqui contar em pormenor, levaram-no a vir para Itália fazer o noviciado. Como é de ascendência italiana, ficará por cá. Foi para ambos uma surpresa.
E agora chego ao título deste post. Durante a noite um vento forte, que assobiava ao passar pelas janelas dos quartos. Hoje de manhã o vento continuava mas sem frio. Depois do almoço veio o dilúvio. Começou a escurecer, deu em chover, chuva tocada com o vento, em todas as direções, as palmeiras, altas, não abanavam… giravam! E assim foi durante meia hora. Depois, voltou a bonança: a chuva parou, o vento amainou, e o dia voltou a clarear.
Tudo isto é muito interessante por pormenores colaterais: o livro de cabeceira, profano, de um autor brasileiro fala do Vesúvio (que vejo todos os dias porque o convento fica no sopé do vulcão), de presépios e de chuva. Que coincidências!

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