Aromas de Páscoa

Anda o país metido numa grande quaresma. Não tanto pelos efeitos da crise - menos dinheiro, mais privações, mais sacrifícios forçados - mas pela escravidão em que nos colocaram os senhores do negócio, governantes actuais e do passado, ministros que agora são deputados ou directores gerais de grandes empresas, ou o contrário, que também acontece, ministros que antes foram deputados, também eles donos de escritórios de advogados, por exemplo, que vivem à conta dos processos do Estado. Para não ser injusto, coloco também o ministro que, antigamente foi primeiro e agora preside à nossa nação (numa mensagem que recebi li "anedota de país").
Ontem dei comigo a pensar: se me chamassem para falar sobre a crise o que diria? O melhor é nem chamar. De contas só sei de somar, subtrair e multiplicar (se forem fáceis). Não percebo nada de contas. O que vejo é que os pobres estão mais pobres e os ricos um pouco menos ricos. Vejo um povo obrigado a sacrifícios e os governantes (Assembleia da República incluída) não abdicam do estatuto nem dos ordenados chorudos e acumulados que têm (sei de deputados com dois e/ou três ordenados). Vemos um Presidente dos Estados Unidos da América que destina 5% do seu ordenado para questões sociais enquanto o nosso negociou entre um ordenado e uma reforma, e anda preocupado com o seu futuro...
Também me perguntei: e se me chamassem a falar de política? Pior ainda. Não percebo nada de política. Tendências de esquerda? Talvez. De direita? Quem sabe. O que sim sei é que estamos longe de uma verdadeira democracia. A nossa está viciadíssima (se olharmos para o lado vemos que a monarquia também não anda boa...). Uma ideia de Europa, que arrasta os seus irmãos/parceiros para a pobreza em vez de os ajudar, não presta. Resumindo numa expressão bem portuguesa: "Quem se lixa é o mexilhão".
Não sou de direitas nem de esquerdas. Sou sim, e sempre serei, a favor de uma legítima e pura justiça social, em que os governantes nos governem em vez de se andarem a governar, em vez de confrontos haja diálogos, em que a dignidade e promoção humana sejam a única grande preocupação governativa.
Temos um novo papa, elogiado pelas direitas e pelas esquerdas. Loas ao Papa? Ele certamente que as dispensa. Querem agradar-lhe? Sigam-lhe o exemplo.
Ontem a coisa começou a desmoronar-se. Miguel Relvas demite-se. Até que enfim! Vem tarde. Hoje mou amanhã, talvez venha a cair o governo. Não é sem tempo. Já que quem de direito não o fez cair. Mais uma vez, o povo olha para o céu tão nublado e parece ver uma aberta de sol.
Não sei por quanto tempo a quaresma nacional se vai prolongar, mas sabem bem estes aromas de Páscoa.

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