Uma comunidade de Amor

Começou ontem, na paróquia de São Domingos de Benfica, com um grupo de sete casais, seis pares de noivos e eu, um cpm (centro de preparação para o matrimónio). Há muitas maneiras de fazer este cpm. O mais corrente é fazer num fim-de-semana. O mais clássico e original é fazê-lo em seis sessões, uma vez por semana.
O método é trabalhoso mas, ao mesmo tempo, profundo. Durante seis semanas os casais trabalharam os seis temas do cpm a partir da sua própria vida. Cada casal falou entre si e partilhou com os outros casais. Depois de trabalharmos os seis temas, foram distribuídos por cada casal para, depois, o apresentar aos noivos.
Agora, com os noivos, o método é o mesmo: os noivos falam entre si dos temas, a partir de umas perguntas que lhes entregamos de uma semana para a outra e, depois, no encontro, partilham com os outros noivos e casais. No fim o casal apresenta o seu testemunho e o assistente (neste cpm é este que vos escreve) diz também umas palavras.
Vou tentar cá escrever o que acho sobre cada tema. A imagem será sempre com o motivo das bodas de Caná (Jesus convidado a um casamento).
O primeiro tema foi: Uma comunidade de amor. Aqui ficam algumas notas:
1. São muitos os caminhos do amor e muitos os caminhos que nos levam a Deus. Certamente que, na opção por casar na Igreja, vivendo juntos há alguns anos, o casamento na Igreja é como que uma estação num caminho a dois. Um ponto de chegada numa relação e um ponto de partida.
Mas, como digo, o importante é que, mesmo que a iniciativa seja mais de um do que do outro ("estamos tão bem assim, porque é que vamos agora casar..."), a partir da decisão de casar, o caminho torna-se único para os dois.
Por vezes, aquilo que poderia parecer uma obrigação (casar porque sempre sonharam ser assim, ou por pressão sócio-cultural ou da própria família) torna-se uma opção. Opta-se por casar na Igreja por uma questão de fé, por uma questão de bênção (não de sorte), e por uma questão de amor. Casar na Igreja lembra-me que devo amar o outro à maneira de Cristo.
2. Aceitar os defeitos e enaltecer as qualidades. Todos temos defeitos e todos temos qualidades. Por vezes somos mais rápidos em evidenciar nos outros os defeitos e não valorizar as qualidades. Mas o outro tem defeitos e qualidades como eu também os tenho. E reconhecer isso (é preciso humildade) faz-me vez não sou uma obra acabada, ou que o outro me ajuda no trabalho de construção da minha vida (um diamante bruto que precisa de ser polido para vir a ser valioso e bonito). Por isso, numa relação, seja ela qual for, há uma diferença entre aceitarmos o outro com as suas qualidade mas também com os seus defeitos, e o suportarmos o outro. Aceitar é sempre melhor que suportar.
Por vezes os defeitos do outro (e para o outro os meus) são motivo de alguma tensão. Perceber-me como uma pessoa com defeitos e qualidades leva-me ao diálogo e ao perdão. Tudo porque amo o outro ("amo-te apesar dos teus defeitos"). Uma relação cresce e fortalece quando se caminha junto, falando, perdoando, mas, sobretudo e sempre, amando: "muito mais é o que nos une que aquilo que nos separa" (Rui Veloso).
3. Aquele com quem quero partilhar a minha vida é, antes de mais e acima de tudo, um amigo. O meu melhor amigo. Para além da paixão e do amor há também uma amizade, que é mais que cumplicidade. Com um amigo ao meu lado, "nenhum caminho será longo" (P. Tolentino Mendonça).
4. Barreiras de protecção do exterior. Têm o perigo/risco do casal fechar-se em si próprio e tornar-se uma relação egoísta. Ora, o casamento é tudo menos viver um para o outro. Os filhos são o mais óbvio de que o amor do casal é para ser partilhado e visto. Se a nossa relação se comparasse a uma casa, a porta estaria sempre no trinco, permitindo abrir por dentro e por fora.

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