sábado, 29 de junho de 2013

Pedro e Paulo

O mês dos Santos populares não contempla São Paulo. Celebramos a 13 Santo António, a 24 São João Baptista e, no dia de hoje, São Pedro. Mas, exactamente, hoje a Igreja não celebra só São Pedro. Desde sempre que, na liturgia, se celebraram em conjunto São Pedro e São Paulo, as duas colunas da única Igreja de Cristo.
Hoje, em Portugal, vários acontecimentos são assinados: o funeral do bispo emérito de Coimbra, D. João Alves, a despedida de D. José Policarpo como Patriarca de Lisboa e, em Roma, D. Manuel Clemente, recebe das mãos do Papa Francisco, o pálio de arcebispo. Até eu, hoje, lembro o meu décimo ano de ordenação diaconal. Gosto de lembrar este dia. O serviço. A igreja e os seus membros ao serviço daqueles que lhes estão confiados. Uma Igreja, cuja hierarquia não está para se servir, para lucrar, mas para servir, dar a vida, quotidianamente, por aqueles que a não têm em abundância.
Pedro e Paulo, dois homens com feitios e pontos de vista diferentes, mas ao serviço da mesma Igreja de Cristo. Caridade e serviço, as duas grandes atitudes do cristianismo, que Pedro e Paulo nos ensinam com a sua vida e a sua mensagem.
Para a pagela da minha ordenação de diácono, escolhi um ícone do lava-pés. Normalmente as pessoas pensam que é pela atitude de Jesus lavar os pés; mas no relato de São João, o que a mim me levou a escolher a imagem foram as duas atitudes de Jesus: levantou-se da mesa, tirou o manto, tomou uma toalha e atou-a à cintura. Sair do lugar cómodo, despojar-se das vestes e vestir um avental para servir. Só assim se pode andar nas coisas de Deus. Títulos, louvores e destaques é trair a pessoa e a mensagem de Jesus.
São Pedro pediu para ser crucificado ao contrário de Jesus (de cabeça para baixo); São Paulo dizia que a sua glória era Cristo crucificado. Saibamos nós, a começar certamente por mim, aprender nesta escola dos humildes a quem Deus se vai revelando.
(imagem: São Paulo visita São Pedro, em Roma, na prisão)

Impedimentos ou desculpas?

Na primeira leitura e no evangelho do próximo domingo, iremos escutar relatos de aparente vocação: há o desejo de seguir mais de perto mas, ao mesmo tempo, há alguns impedimentos. O contraste está entre a nobreza da proposta e a vulgaridade das desculpas: já vou, deixa-me primeiro, até ia mas...
É assim que muitas vezes fazemos entre nós mas, pior ainda, é assim que fazemos com Deus. Deus deixa de ser a nossa prioridade para nos atirarmos a coisas secundárias e sem valor. Deus faz a parte dele: escolhe e chama. Nós nem sempre fazemos a nossa parte: ignoramos e arranjamos impedimentos. Quando é que Deus será a nossa primeira e valiosa opção, de tal modo que sejamos inteiramente dele, seguindo-o sem olhar para trás? Bom domingo.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

nove anos... e um dia

Por falta de tempo, ontem não pude aqui vir marcar o dia do meu nono aniversário de ordenação. Dia cheio mas alegre e bem disposto.
Em nove anos, foi a primeira vez que juntei, numa mesma celebração, os meus dois grandes apostolados como padre: uma Missa com alunos do Externato Marista de Lisboa na igreja do Convento onde vivo. Dois grandes apostolados e os primeiros que tive como padre. Recém ordenado, puseram-me em contacto com os Maristas para ver a possibilidade de poder vir a ser capelão. Um ano depois, estando a construção da igreja no seu fim, confiaram-ma como lugar de apostolado e pregação. Por isso, foi um dia especial. Acabei por jantar com novos Amigos, importantes na nossa missão de padres. Estar com as pessoas, conquistar amizades, ajudas mútuas, é a melhor construção de vida que alguém pode ter.
Também, ao longo do dia, fui recebendo mensagens de parabéns, que agradeço. De facto, não se pode conceber o ministério ordenado senão para estar rodeado de pessoas, para as amar e servir.
Dias de alegria e de acção de graças. Por tudo e por todos.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Um concerto no Vaticano

Só agora tenho disponibilidade para aqui deixar escrito os últimos momentos da minha ida a Roma. A sessão de trabalhos acabou no sábado, ao meio-dia, com a distribuição de "trabalho de casa". Como só tinha avião no domingo, tive a tarde de sábado livre. Sem grandes planos, de repente, aparecem-me dois convites para um concerto no Vaticano, por ocasião do Ano da Fé, com a presença do Papa. Como não tinha grandes planos, acabei por ir. Ir atempadamente para arranjar um bom lugar, até porque se o Papa ia, era bom arranjar um lugar perto do corredor onde a passar. Aos poucos a grande sala foi-se compondo (não encheu), com lugares diferenciados conforme as posições civis ou religiosas e, à hora em que o Papa devia entrar - a euforia era tal que havia freiras de hábito em cima das cadeiras! - ouve-se um bispo a dizer que o Papa, afinal, não ia ao concerto por motivos inadiáveis. Foi a desilusão. As freiras desceram das cadeiras, algumas pessoas foram até embora, e fez-se silêncio na sala.
E começa o concerto: La Nona di Beethoven. Nunca tinha ouvido em concerto. Nem nunca tinha dado muita atenção. Nunca tinha gostado muito da letra portuguesa "Escuta, irmão, esta canção de alegria...". Mas, enquanto se esperava pelo começo do concerto, fui ver a letra e arrepia. Além de que o tema do coral vai aparecendo de vez em quando, no último andamento "Presto - Allegro Assai", os contrabaixos, tocam a melodia do coral, a pele começa a arrepiar. E, depois, é só deixar-se levar pelos violinos, vozes, deixar o corpo sentir as vibrações musicais e a cabeça marcar o compasso. À medida que a sinfonia ia tocando, havia também um jogo de luzes à volta do Cristo Ressuscitado, que está na Sala Nervi.
No final, aplausos e bravos e, aos poucos, fomos saindo do Vaticano, num final de tarde de sábado. Ainda encontrei uma ou outra pessoa que conhecia e que cumprimentei.
E aqui fica um vídeo do Youtube com a parte final da Nona Sinfonia, se quiser ouvir. A imagem é o Cristo Ressuscitado, de Pericle Fazzini, que está na Sala Nervi. E, se tiver tempo, leia o exto do coral, que vale a pena.
 
 

sábado, 22 de junho de 2013

Perguntas de Jesus

É difícil seguir Jesus Cristo. Poderíamos resumir assim o Evangelho deste domingo que começamos a celebrar. É difícil porque nos questionamos sobre Ele e sobre a sua mensagem; é difícil porque Ele nos questiona sobre o nosso modo de estar no mundo; é difícil porque ser cristão implica seguir Jesus com a nossa Cruz de cada dia. Mas, muitas vezes, depois das dificuldades vêm as alegrias. Jesus não fica na Cruz. Com a sua ressurreição abre a porta da morte que nos leva à alegria da vida eterna. Neste caminho nem sempre tão fácil, somos levados a responder às perguntas que Jesus nos vai fazendo e orientam a nossa vida: quem sou Eu para ti? Que sinais dás de que vivem em mim? Como é que aceitas a tua Cruz? Bom domingo!

quinta-feira, 20 de junho de 2013

São José na Missa

Não estava a pensar falar no assunto mas, como não o vi escrito em nenhum site católico português, aqui deixo a notícia que saiu ontem do Vaticano: a partir de agora, nas orações eucarísticas deve mencionar-se São José depois da Virgem Maria.
Como é sabido, nós temos várias orações eucarísticas na Missa. Nos anos 60, o papa João XXIII mandou inserir o nome de São José no Cânon Romano (Oração Eucarística I). Pouco tempo antes de Bento XVI resignar, houve a proposta de o inserir nas outras orações eucarísticas. O Papa era a favor mas não chegou a assinar o documento. Agora o Papa Francisco, mandou que se oficializasse esta petição.
Os motivos não os sabemos. Talvez o Papa os venha a dizer. Aqui em Roma falam-se de três, embora, para mim, o primeiro seja o mais importante:
1. São José é o Patrono da Igreja. Ele que foi o guardião do Menino Jesus, como pai, protege agora a Igreja.
2. O Papa Francisco é o segundo João XXIII. Os meios de comunicação social não se cansam de dizer isto. A revista Tablet desta semana traz este título na capa: Two of a kind - O Papa Francisco é o natural sucessor de João XXIII. Os dois sorridentes, humildes e próximos. Alguns ainda esperam que este Papa vai mandar convocar um Vaticano III mas fora do Vaticano, como que qurendo dizer ao mundo qe é preciso descentralizar a Igreja... Como João XXIII mandou colocar São José no Cânon Romano (explicava ele com naturalidade quando lhe perguntavam porquê: porque eu chamo-me José!), este Papa fez mais ainda.
3. A devoção dos Jesuítas a São José. Não sei nada deste argumento. Ouvi-o ontem numa conversa que tive com monges beneditinos de Montserrat e que estão a estudar liturgia aqui em Roma.
Seja qual for o motivo, São José fica sempre bem nas nossas orações. E, como diz Leonardo Boff, São José acaba por ser o patrono dos incógnitos, todos aqueles cujo trabalho não é reconhecido mas que aparece bem feito.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Trabalhos de Roma

Cá estou eu em Roma, há dois dias, para mais uma reunião da Comissão Litúrgica da Ordem.
Roma parece um forno... Temperaturas pelos 30 graus; à noite pelos 25.
Não apetece muito sair à rua mas também é muito sedentário ficar todo o dia no Convento. Um passeio no fim do jantar é saudável.
Os trabalhos decorrem com tranquilidade. De manhã reuniões plenárias e, á tarde, reuniões por grupos. O meu grupo, desta vez, é o da música. Estamos a preparar para o Jubileu de 2016 dois livros de música "dominicana": um com o repertório gregoriano da nossa tradição/espiritualidade e outro com músicas contemporâneas dos vários pontos do mundo. Ontem à tarde fez-se uma primeira selecção. Nenhuma música foi, para já, excluída, embora algumas deixem muitas interrogações. Nas reuniões plenárias, ontem foi dia de apresentação de trabalhos. Eu lá apresentei o livro dos Santos e Celebrações da Ordem dos Pregadores, valorizado e elogiado. Só trouxe 2 exemplares mas, da Cúria, já me pediram mais para os arquivos. O tema que nos vai ocupar durante as manhãs é o do Livro das Orações e Bênçãos da Ordem. Em princípio será o último trabalho da antiga comissão. Não fosse o calor e até se passavam bem os dias... Mas Roma, sempre inventiva, arranjou os gelados, que sempre refrescam.
(fotografia da cela de São Domingos. De acordo com a tradição, este era o quarto de São Domingos, onde muito rezava e trabalhava e pouco dormia. Agora é uma capela para oração privada. Diz a tradição que São Francisco visitou aqui São Domingos muitas vezes e que ficavam em grandes conversas espirituais... bons tempos!)

domingo, 16 de junho de 2013

Mais um desenho

Neste fim de Domingo, aqui deixo um desenho que o António fez durante a Missa e me ofereceu.

sábado, 15 de junho de 2013

O arrependimento

O evangelho da liturgia deste domingo leva-nos, uma vez mais, a um episódio da vida de Jesus cheio de emoção: é convidado a um jantar em casa de um fariseu e, entretanto, uma pecadora aproxima-se e lava os pés de Jesus com as suas lágrimas e unge-os com perfume.
O que o fariseu estranha é que Jesus não se tenha dado conta que uma pecadora o tenha tocado. Mas, sim, Jesus deu-se conta e não se importou. Nunca se importa com os nossos rótulos porque a misericórdia é maior que a miséria. Neste episódio temos também nós um lugar: seremos como esta mulher que manifesta arrependimento ou como o fariseu que só vê o mal do outro? Bom domingo.

Um dia de sol no Funchal

Finalmente um dia de sol no Funchal. Tudo mudou de cores. Agora sim o azul do céu toca com o azul do mar.
O dia de ontem, que tinha ficado prometido relatar, acabou tarde, com um jantar na casa dos amigos que me hospedaram. O atraso sucessivo dos aviões fez com que o jantar fosse adiado. Mas valeu a pena.
Mas o dia de ontem valeu por tudo: a conversa e ensaio com os noivos, a descida para o jardim botânico por teleférico (mete respeito!) e a visita ao jardim botânico. Duas horas a visitar as várias espécies de árvores, arbustos e plantas, algumas da Madeira e outras de outros lados do mundo.
Esta manhã fui ajudar a confessar crianças que amanhã fazem a Profissão de Fé e acabei por fazer um baptismo porque o pároco tinha muitos afazeres.
Ainda tive tempo de passar no Mercado dos Lavradores para ver a abundância de peixes, frutas e legumes, num dia de sábado.
E agora é esperar pela hora do casamento.
Ao deixar o Funchal não posso esquecer as várias pessoas que contribuíram para que pudesse desfrutar de uns dias de “férias”. Não as nomeio mas estou-lhes muito grato.
Agora já não volto a escrever a não ser de Roma… mas vou em trabalho.
(fotografia de uma banca do Mercado dos Lavradores)

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Por mares nunca dantes navegados

Vim à Madeira. Primeira vez. Vim para um casamento e aproveitei vir uns dias antes para a conhecer. E impressiona-me. Impressiona a altitude, impressiona a grandeza (a Madeira é grande!), impressionam ainda mais as imagens que vimos passar na televisão daquela tragédia de Fevereiro de 2010. As ribeiras, que agora andam mansas, as levadas... tudo. E impressiona o mar. Mar por todo o lado mas mar limpo, Atlântico, portanto.
Tenho passado os dias a visitar lugares, graças a pessoas que tão generosamente me levam para os lugares mais distantes. Os mapas/guias, enganam muito. O Monte não é assim tão perto para se poder ir a pé (e a subir!), e não está tudo concentrado na capital. Hoje, os pais de um confrade, convidaram-me para almoçar e levaram-me à parte norte da ilha: Ribeira Brava, Encumeada, São Vicente e Ponta Delgada. Sempre o mar...
E não posso deixar de referenciar a gastronomia: Trouxe o propósito de fazer as pazes com as frutas tropicais (excepto o ananás que continua a estar proibido na minha dieta). Tenho de destacar o atum de cebolada com semilha (aqui a batata é outra espécie) e pimpinela (o noso chuchu) e, de sobremesa, gelado de pitanga!!! Como disse uma criança que estava ao almoço, o gelado que mais adoro!
Dois pormenores: ontem estive na celebração dos 499 anos da criação da Diocese do Funchal (vários bispos foram dominicanos). Encontrei padres amigos, religiosas, as minhas irmãs dominicanas... E hoje, visitei a igreja de Santo Amaro, uma igreja do ano 2000 muito bonita: sobriedade e bom gosto. Até descobri que este blogue é lido na Madeira!
Espero amanhã trazer mais notícias desta minha descoberta da Pérola do Atlântico. E, no sábado, espero fazer todos os agradecimentos, porque todos têm sido muito simpáticos comigo. Deixo-vos cm esta fotografia de Ponta Delgada.
 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Oração depois de um dia que valeu a pena

Obrigado, Senhor, por este dia que me deste.
Obrigado, Senhor, porque este dia valeu a pena.
Obrigado por tudo o vivi, pelas pessoas com quem estive,
com as que ouvi e com quem falei, as que servi e amei.
Obrigado, Senhor, porque te senti perto de mim
no sorriso das crianças, nos gestos de atenção e dedicação dos adultos.
Obrigado, Senhor, porque te revelaste naqueles com quem estive
e senti confirmada a tua palavra:
"Sempre que o fizeste a um destes pequeninos, a mim o fizeste".
Obrigado, Senhor, por ter dado e recebido.
Experimentei a beleza e a alegria
de que é dando que se recebe.
E, porque nem tudo é tão bom como queremos e desejamos,
ajuda-me a ser melhor, Senhor;
a não julgar nem falar mal,
a contentar-me com o que tenho e como sou,
pobre e limitado,
mas desejando sempre sem melhor.
Obrigado, Senhor, por pesares a minha vida
na balança da misericórdia.
Concede-me uma noite tranquila,
para amanhã poder louvar-te e sentir-te nos afazeres da vida.
Amen.
(imagem: O Anjo da guarda, que dispõe os nossos corações para o bem)

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Livros recebidos

Hoje foi dia de receber livros no Convento.
À hora do almoço chegou o número 25 dos Cadernos ISTA, dedicado ao fr. José Augusto Mourão, seu  Presidente, falecido em 2011. Traz um poema inédito, uma conferência, e também o seu extenso curriculum. A segunda parte deste Caderno consta de índices de autores e ´títulos das conferências publicadas.
E acabo de receber, também, um livro do qual fui coordenador: Santos e Celebrações da Ordem dos Pregadores. É publicado pela editorial Apostolado do Rosário, com 197 páginas. Traz a vida de todos os santos e beatos dominicanos e a sua respectiva oração. Traz também publicado, e pela primeira vez, o Calendário Litúrgico da Ordem para a Província de Portugal. Um trabalho de equipa, com grande mérito dos que o ajudaram a construir, que certamente ajudará a difundir a história e espiritualidade dominicana, e que estará à venda nos conventos dominicanos e na livraria Verdade e Vida, em Fátima.
Aqui deixo a Apresentação que fiz para o livro:
Este pequeno livro é o primeiro resultado das traduções dos livros litúrgicos da Ordem dos Pregadores, que tem vindo a ocupar vários membros da Família Dominicana de Portugal e do Brasil.
O conteúdo deste livro que o leitor tem nas suas mãos, irá fazer parte, no futuro, dos vários livros Litúrgicos: Missal e Leccionário OP e Liturgia das Horas.
Tendo sido aprovado o Calendário Litúrgico da Ordem dos Pregadores para a Província de Portugal – o primeiro passo para a tradução e adaptação dos livros acima citados – pôde proceder-se igualmente à tradução, a partir do texto latino, dos formulários litúrgicos das celebrações do Tempo e dos Santos da Ordem.
Por isso, nesta obra, o leitor encontrará o calendário litúrgico aprovado e, para cada celebração, uma pequena introdução histórica ou biográfica, seguida da oração colecta do santo ou da celebração que se celebra, e também o ‘elogio’ do Martirológio Romano, que consiste num pequeno parágrafo que nos dá a indicação do essencial da celebração. No caso dos santos ou beatos, o elogio começa por dar a indicação do lugar da morte e depois em que se destacou a vida do santo ou beato que se celebra.
Este trabalho não se deve a uma só pessoa. Por isso, nesta apresentação, deve agradecer-se a quantos e quantas colaboraram no árduo trabalho de tradução, adaptação e revisão de textos tão importantes, como são os que usamos na liturgia.
Que este livro de espiritualidade e oração da Família Dominicana a todos ajude no caminho de santidade, desejo de Deus para toda a humanidade: “Sede santos porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo” (Lv. 19, 2).
(A fotografia foi tirada hoje, quando ia a sair do Convento e vi este magnífico arco-íris. Lembrei-me do dia de hoje, festa do Sagrado Coração de Jesus, e dei a este arco o nome: Arco da misericórdia, do amor e do perdão de Deus)

segunda-feira, 3 de junho de 2013

As palavras da fé

Venho de um funeral de um rapaz ainda novo. Com pai e mãe vivos, dores que não se sentem, quanto muito solidárias, lembro-me sempre do "contra-natura" dos pais verem morrer os seus filhos.
As palavras têm que ser bem medidas e bem pesadas. Por vezes o silêncio para perguntas que não têm resposta. Pelo menos por agora. Para os que temos fé, as palavras consoladoras vêm de Deus, da sua palavra. Para combater a tristeza da ausência e da separação fica a certeza de que estão junto de Deus.
Palavras para a morte não as tenho. Para a vida eterna dá-mas Cristo.
A escrita pode ajudar a digerir perdas e desconsolos.
Ao abrir o livro de poemas de Sophia, encontrei a parte final de um, que aqui deixo, que poderão ser os sentimentos de uma mãe ou de um pai que vê partir o seu filho:
"Nem terror nem lágrimas nem tempo
Me separarão de ti
Que moras para além do vento
."

sábado, 1 de junho de 2013

Que fizemos da Eucaristia?

Celebrar a festa do Corpo de Deus a um domingo – esta será a primeira vez na história de Portugal – pode ajudar a revitalizar o que se entendia como devoção. A celebração da Eucaristia centra-nos no essencial: perceber no pão e no vinho os sinais da entrega e do amor de Cristo pela humanidade, perceber que a comunidade os celebra ao mesmo tempo como sacrifício e banquete e que, o pão consagrado que partilha na fé compromete-a na partilha do pão que alimenta e dá dignidade aos que passam necessidades. Várias perguntas se colocam ao celebrarmos a Eucaristia dominical: Que fizemos da Eucaristia? Um acto social? Um hábito dos domingos? Um “aperitivo” de qualquer coisa que vem depois? Bom domingo!

Oração para depois de um tempo de retiro (ou descanso)

Disse-lhes, então Jesus: «Vinde, retiremo-nos para um lugar deserto e descansai um pouco.» Porque eram tantos os que iam e vinham, que nem tinham tempo para comer. (Mc 6, 31)

Obrigado, Senhor, por estes dias de descanso que me concedeste.
Obrigado pelas horas aproveitadas,
pelos momentos de oração, de estudo, de convívio e de lazer.
Obrigado, Senhor, por me teres convidado
a ir contigo para um lugar deserto e a descansar.
Agora que retomo as actividades quotidianas,
exigentes e intensas,
dá-me força para não desanimar.
Que o ritmo do trabalho me faça compreender
que colaboro contigo na obra da criação.
Ajuda-me a estar próximo do próximo,
praticando o ministério do acolhimento e do diálogo.
Ajuda-me a viver no dia-a-dia
a tranquilidade com que me educaste nestes dias.
E que sinta a tua presença, junto das pessoas ou no meio dos livros.
Assim viverei feliz porque te encontro no meu caminho.
Ámen.
 (imagem: Peter Severin KRØYER, crianças na praia, 1892)