Um concerto no Vaticano

Só agora tenho disponibilidade para aqui deixar escrito os últimos momentos da minha ida a Roma. A sessão de trabalhos acabou no sábado, ao meio-dia, com a distribuição de "trabalho de casa". Como só tinha avião no domingo, tive a tarde de sábado livre. Sem grandes planos, de repente, aparecem-me dois convites para um concerto no Vaticano, por ocasião do Ano da Fé, com a presença do Papa. Como não tinha grandes planos, acabei por ir. Ir atempadamente para arranjar um bom lugar, até porque se o Papa ia, era bom arranjar um lugar perto do corredor onde a passar. Aos poucos a grande sala foi-se compondo (não encheu), com lugares diferenciados conforme as posições civis ou religiosas e, à hora em que o Papa devia entrar - a euforia era tal que havia freiras de hábito em cima das cadeiras! - ouve-se um bispo a dizer que o Papa, afinal, não ia ao concerto por motivos inadiáveis. Foi a desilusão. As freiras desceram das cadeiras, algumas pessoas foram até embora, e fez-se silêncio na sala.
E começa o concerto: La Nona di Beethoven. Nunca tinha ouvido em concerto. Nem nunca tinha dado muita atenção. Nunca tinha gostado muito da letra portuguesa "Escuta, irmão, esta canção de alegria...". Mas, enquanto se esperava pelo começo do concerto, fui ver a letra e arrepia. Além de que o tema do coral vai aparecendo de vez em quando, no último andamento "Presto - Allegro Assai", os contrabaixos, tocam a melodia do coral, a pele começa a arrepiar. E, depois, é só deixar-se levar pelos violinos, vozes, deixar o corpo sentir as vibrações musicais e a cabeça marcar o compasso. À medida que a sinfonia ia tocando, havia também um jogo de luzes à volta do Cristo Ressuscitado, que está na Sala Nervi.
No final, aplausos e bravos e, aos poucos, fomos saindo do Vaticano, num final de tarde de sábado. Ainda encontrei uma ou outra pessoa que conhecia e que cumprimentei.
E aqui fica um vídeo do Youtube com a parte final da Nona Sinfonia, se quiser ouvir. A imagem é o Cristo Ressuscitado, de Pericle Fazzini, que está na Sala Nervi. E, se tiver tempo, leia o exto do coral, que vale a pena.
 
 

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