terça-feira, 28 de julho de 2015

Liber Generationis

Comecei em 2007 a tentar construir as minhas ascendências. Sempre mais inclinado para os lados de Feirão, por ter gente mais à mão e os livros paroquiais, que são preciosidades históricas, de registos dos baptismos, casamentos e óbitos. Por uns chegamos aos outros e assim fui eu subindo até à quinta geração.
Quase todos os anos vou buscar os livros antigos, folheio-os e descubro sempre algum pormenor. Este ano copiei e fotografei os registos que me eram mais queridos: casamento dos meus avós e baptizado da minha mãe, registando os nomes dos padrinhos, horas de nascimento e idades das mortes. Sim, há muitas mortes, por exemplo, entre 1943-1946. Aqui diz-se que foi a malina, uma peste que matou quase tudo o que era crianças, não escapando também alguns adultos. Da minha família, por exemplo, morreram três crianças (irmãs da minha avó) entre os dois e os quatro anos, duas delas com 15 dias de diferença e a outra uns meses depois.
Ontem, em Cotelo, ao comentar com uma senhora esta minha empresa, que agora requer ter de ir a Lamego ou a Resende, para ver se encontro registos anteriores aos anos 40, uma senhora disse-me que devia fazer o mesmo com o lado de Cotelo, que fácil começo a subir (a encontrar as gerações). E cismei nisto. À noite comecei a escrever o que sabia, com a ajuda da minha mãe. Eu já sabia, por exemplo, que o meu bisavô paterno era de Feirão e que, tendo casado em Cotelo, foi para lá viver e lá nasceu o meu avô e as suas irmãs e depois o meu pai e seus irmãos. A novidade de hoje é que o meu bisavô se chamava Eduardo e que se casou com uma Florinda… Mas tenho de confirmar este casamento.
O mal do registo oral é que quem se devia lembrar ou se lembra vagamente ou já está esquecido. Esta manhã, por exemplo, ao falar com uma senhora que já tem os seus 89 anos, só pensava: esta cabeça a ir tão longe buscar nomes (ela é que me disse que o meu bisavô era Eduardo e que “parece-me que casou com uma Florinda”) deve estar a fazer um esforço que eu nem imagino. Aquela imagem de esforçarmos uma máquina antiga e que vai dando mas não à pressa que nós queríamos. Um senhor, que estava ao nosso lado deu-me um conselho: O senhor padre apresse-se que daqui a meia dúzia de anos já não tem a quem perguntar. E talvez tenha razão.
(Pormenor do início do Evangelho de Mateus: Liber Generationis)