quinta-feira, 16 de junho de 2016

Simplicidade nas formas e nas fórmulas

Duas vezes por ano lemos na liturgia o capítulo 6 do Evangelho de Mateus. A primeira vez na quarta-feira de cinzas e a já no Tempo Comum, nesta quinta-feira. Escutamos Jesus a ensinar a rezar, onde, querendo explicar como se reza, acabou por nos deixar o modelo perfeito de rezar, o "Pai-nosso". A versão de São Mateus é diferente da versão de São Lucas, quer no texto quer no contexto. Se na versão de São Mateus é Jesus quem nos diz como devemos rezar, na versão de Lucas são os discípulos que pedem a Jesus que os ensine a rezar.
Nesta versão que hoje nos interessa, Jesus faz-nos um duplo apelo. O primeiro é de que as nossas orações devem ser simples nas formas e nas fórmulas. Jesus diz que quando quisermos rezar não o façamos para dar nas vistas mas que entremos no quarto e rezemos em segredo (simplicidade nas formas) e também nos pede para não dizermos muitas coisas porque Deus sabe o que nós precisamos (simplicidade nas fórmulas). Há-de ser a humildade e a discrição da oração que hão-de fazer com que a nossa oração seja agradável a Deus. Todas estas intuições aparecem como introdução ao Pai-Nosso que Jesus lhes ensina. Depois do Pai-nosso, Jesus não volta ao tema da oração mas muda para o do perdão: "Se não perdoardes aos homens, também o vosso Pai não vos perdoará as vossas faltas". E porquê falar do perdão? Por vários motivos. O primeiro porque para rezar precisamos de ter a paz do coração. Quem tem algo a perdoar ou a pedir perdão e não o faz não pode abrir-se ao perdão de Deus. Depois, porque Deus quer que o façamos assim: "se fores apresentar a tua oferta e no caminho te recordares que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão". Deus não gosta que as nossas relações sejam azedas e avessas. Deus quer-nos a viver no perdão e na paz. Portanto, as relações com Deus dependem muito da nossa relação com o próximo. Mas, sem dúvida que, como Jesus nos ensina, para poderemos rezar precisamos de nos libertar dos nós que não nos deixam viver em paz e na alegria.
Claro que vem sempre a mesma exclamação: mas é tão difícil perdoar... pois é, por isso pedimos a Deus que nos ajude.