Ser visto


Quando, há anos, saiu o filme "O grande silêncio", sobre os cartuxos, e, mais tarde, uma fotobiografia sobre os mesmos cartuxos mas portugueses, perguntava-me: como é que eles se deixaram filmar? Esta semana tem-nos calhado a nós sermos filmados. Uns não quiseram, outros fizeram-no com gosto e ainda outros, como eu, tiveram que querer. Ser entrevistado, filmado, aparecer sem querer naquele écran que raramente vejo, é uma exposição forçada.
Felizmente que uma câmara de vídeo só filma o exterior. Não consegue entrar no nosso profundo, naquilo que nós quereríamos fazer mas que ficou contido nem nas palavras que ficaram por dizer. Representámos. Só filmaram espaços, corpos, hábitos, o exterior. Quanto ao interior, o meu ficou salvaguardado.

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