Dias de descanso

Estão a acabar os meus dias de descanso. Foram quatro, o que já não é mau.
Não os entendo como férias porque têm regra desde a hora do levantar á hora de deitar. Graças a Deus os telefonemas foram poucos e as urgências nenhumas, o que permitiu entregar-me a passeios à beira-mar, leituras e escrituras. Com muito silêncio, que cada vez mais gosto, e que transformam estes dias num perfeito retiro.
Trouxe alguns artigos que estavam na estante à espera de leitura. Tudo de temática dominicana: fraternidades leigas, as intuições de São Domingos ao fundar a Ordem dos Pregadores, um comentário sobre a regra de Santo Agostinho e um artigo brilhante sobre vida comum e estudo que só o título já dá uma ideia do assunto: “Procurar a verdade na doçura da comunidade”. É uma frase de Santo Alberto Magno. Espero, em breve, falar deste artigo.
Mas trouxe um livro para ler. Não de temática dominicana mas escrito por um grande dominicano, Albert Nolan. Falo primeiro do autor e depois do(s) livro(s).
Albert Nolan é um frade da Província da África do Sul. Homem de governo, na Ordem, mas também de estudo e de diálogo. Basta recordar o Instituto para uma Teologia Contextual, onde trabalhou nos anos 80 e a revista ecuménica Challenge: Church & People que dirigiu nos anos 90. Num Capítulo Geral, não sei bem qual, foi eleito Mestre da Ordem. Não aceitou. Subiu ao estrado e disse aos frades que, naqueles momento seria mais útil na África do Sul do que na Ordem. Os frades perceberam, aceitaram e procederam a nova eleição.
Temos, em Português dois livros dele, ambos traduzidos pelas Paulinas: Jesus, hoje e Jesus antes do cristianismo. O primeiro é recente, o segundo é dos anos 70 e foi o que trouxe para ler. E recomendo a leitura. Este livro dá-nos uma ideia do contexto de Jesus quando ele começou a sua pregação: classes sociais, João Batista, política, religião, bons e maus… uma boa leitura para quem quer saber mais sobre Jesus e o seu tempo. O outro já o tinha lido, é uma atualização da mensagem de Jesus para os nossos dias. É mais ligeiro e pode ser lido por si só; os dois complementam-se mas são independentes. Pode-se estranhar ter-se traduzido agora um livro dos anos 70. Albert Nolan explica na nota à edição portuguesa: desde 1976 (ano da publicação do livro), pouca coisa mudou: as catástrofes iminentes anunciadas naqueles anos, são hoje uma ameaça ainda maior.
Este livro dá-nos uma boa imagem de Jesus que vem trazer Deus às pessoas a quem a sociedade e a religião tinha tirado. Esta é uma grande mensagem libertadora que vale a pena comprovar na leitura deste livro.

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