O que me faltava ver

Hoje não se trabalha. Assim quis o Senhor, assim devem obedecer os cristãos. Por isso, a nossa Comissão teve dia livre. Cada um fez o que quis e como quis. Eu aproveitei o dia para ver alguns sítios onde ainda nunca tinha estado e rever outros, como as basílicas de São João de Latrão e de Santa Maria Maior.
Aqui deixo algumas impressões sobre o que hoje visitei.
1. Catacumbas de São Calisto. Há muito tempo que planeava esta visita sem nunca ter conseguido. Por isso, depois da Missa Comunitária, ás 8 da manhã, apanhei o autocarro que me levou à bela Via Ápia, a antiga, claro está. Ali estão três das sessenta catacumbas que Roma tem. Mas da Via Ápia são as mais conhecidas. Não vou aqui falar da história das catacumbas - hoje em dia a Internet consegue fazê-lo de uma forma correta - mas só dizer que me impressionou profundamente. A visita foi demasiado rápida. São os padres salesianos que tomam conta das Catacumbas e têm o esquema de tal maneira montado que as perguntas só se podem fazer já fora das catacumbas. Pressas à parte - e, infelizmente têm que ser sempre acompanhadas de guia - lá visitámos alguns corredores e as famosas pinturas decorativas.
Já cá fora, a caminho da basílica de São Sebastião, dava comigo a pensar naqueles tempos e nos nossos tempos... Aquela gente era bastante mais espiritual que nós. Decoravam as paredes com pinturas e desenhos que lembram vida; espaços agradáveis onde se podia rezar, com uma pequena candeia de azeite, junto dos que ali repousavam em paz. Nós temos as nossas benditas capelas mortuárias, agora até lhes damos o nome de Capelas da Ressurreição, mas não são espaços belos, cuidados, decorados com gosto, que lembrem a outra vida, da qual esta é só uma sombra. Emociona ver símbolos batismais, o bom pastor com a ovelha às costas, a mulher orante... sempre com esta perspetiva de vida.
2. Igreja Quo vadis. Estas catacumbas ficam entre a basílica e catacumbas de São Sebastião e uma outra igreja conhecida como igreja Quo vadis. Quase toda a gente sabe a história mas conto rapidamente o que vi. Entra-se na igreja e vemos uma peça de mármore com uma longa inscrição que narra o que ali aconteceu e que já conto. Depois vemos uma pintura de Jesus do lado direito, como que a caminhar para Roma e, do lado esquerdo (o lado de Roma) vemos Pedro a fugir.
Traduzo a placa com a inscrição para ser mais fiel à tradição: "Esta igreja, intitulada de Santa Maria do pranto, é comummente conhecida por Domine, quo vadis, por causa da aparição de Nosso Senhor, feita a São Pedro, quando este glorioso apóstolo, persuadido e pressionado pelos cristãos ao sair da prisão e fugir de Roma, veio por esta Via Ápia, e neste lugar encontrou-se com Nosso Senhor, que ia para Roma. Pedro, maravilhado com a sua presença, perguntou-lhe: Senhor, aonde vais? (Domine, quo vadis?) e Jesus respondeu-lhe: venho a Roma, para ser crucificado. Foi-lhe, então, revelado o mistério, e São Pedro recordou-se que também que Jesus tinha predito a sua morte, quando lhe entregou o governo da sua Igreja e, voltando-se, voltou para Roma. E o Senhor desapareceu. Ao desaparecer deixou impressas no chão as suas pegadas num bocado de pedra da estrada, que aqui está assinalada no meio desta igreja. A forma expressiva dos pés de Nosso Senhor foram recortadas e, atualmente estão na igreja de São Sebastião". A fotografia que dá cor a este post é a das ditas verdadeiras pegadas de Jesus que estão na basílica de São Sebastião.
Já no altar vemos, no lado direito, Jesus crucificado e, no lado esquerdo, Pedro crucificado, mas de cabeça para baixo porque, como diz a tradição, quando o iam crucificar pediu para ser crucificado de cabeça para baixo porque não era "digno de morrer da mesma maneira que o seu Salvador". Deixou-me igualmente a pensar. Quantas vezes queremos fugir do que nos pedem (do que o Senhor nos pede)? Sempre a tentação do caminho mais fácil. Mas é sempre Cristo que nos faz ver o caminho e regressar...
3. Basílica de São João de Latrão. Revisitei. Dei-me conta de uma sepultura de um cardeal português. Estamos por todos os lados. A visita é rápida porque estão na Missa. Tempo para tirar uma fotografia a São Filipe e lembrar-me do episódio do encontro de São Francisco com São Domingos. Diz a tradição que, depois do sonho que o Papa teve e que eles os dois também, de que a Igreja estava a cair (por causa das heresias), estes dois santos encontraram-se nesta basílica e abraçaram-se. É uma tradição verosímil até porque o Papa, naquele tempo, vivia em Latrão. Depois da visita, almoço num restaurante simpático, com umas pastas absolutamente fantásticas. Não me perderia em Roma...
4. Santa Anastácia. Já da parte da tarde, tempo ainda para ir a Santa Maria Maior. Sempre emocionante. Para mim, a mais bela igreja de Roma. Depois, a caminho do convento, procuro a Basílica de Santa Anastácia. E que descoberta. Como sabem, todos os anos o Papa vem a Santa Sabina, em quarta-feira Santa, e faz uma pequena procissão. Desde há una anos que é de Santo Anselmo a Santa Sabina (100 metros, se tanto). Mas antigamente o Papa vinha desta Basílica, que fica um pouco mais longe. Como esta santa morreu num dia 25 de Dezembro, e no seu tempo ainda não havia celebração do Natal, quando se construiu a Basílica, no século IV, o papa vinha, atá há bem pouco tempo, no dia de Natal, celebrar a Missa de Santa Anastácia. para nós, dominicanos, é também uma igreja importante. São Domingos passava por aqui quando vinha do convento de São Sixto, onde vivia, para visitar as monjas num outro mosteiro. A beata Cecília, uma dessas monjas, conta que São Domingos fez aí um milagre.
E assim se passou um dia. Mas não é tudo. Se Deus for servido, terça feira de manhã irei ao mais esperado lugar que me falta conhecer: entrarei no Vaticano, numa visita privada.

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