Fim da primeira parte

Terminou, hoje, a primeira parte do trabalho da Comissão. Até aqui foi prestação de contas. Eu poucas prestei. Numa comissão onde todos têm doutoramentos, especialidades e experiências em liturgia, eu quase não abro a boca. Mas aprendo muito. Esta manhã, por exemplo, falámos de um documento publicado pela Congregação do Culto Divino e dos Sacramentos sobre a questão da tradução e dapatação do Rito Romano. O documento chama-se Liturgiam Authenticam, sem tradução em português; as alternativas são o latim e o inglês, ou então, algum artigo que resuma o texto. É um texto bastante armadilhado, que brinca ao dá-e-tira. Ou seja, Roma deixa que as Conferências episcopais traduzam e adaptem os textos mas... Roma é quem tem a última palavra e, muitas vezes, manda dizer que não é uma boa tradução ou adaptação.
Não falei sobre este assunto na reunião, mas sim à mesa, porque o meu ponto de vista é até mais eclesial que litúrgico: o que é que estas Congregações Romanas fizeram da colegialidade e da autonomia dos Bispos e das Conferências Episcopais que o Concílio tanto icentivou? Para que servem? Que adianta uma Conferência Episcopal traduzir e adaptar uma oração para, depois, Roma, vir dizer que não pode ser assim? Saberá Roma mais do uma conferênca episcopal sobre a cultura do seu país? Um frade deu um exemplo: para a beatificação de uma religiosa, a comissão diocesana preprarou os textos litúrgicos. Escolheu uma carta desta religiosa, escrita em alemão. Mas como em Roma as coisas têm de ir em latim, pediram para fazer a tradução da carta do alemão para o latim. Resposta de Roma: devem fazer uma melhor tradução do alemão! Como dizia uma irmã que pertence à Comissão: se o Papa Paulo VI ressuscitasse não iria achar piada.
(fotografia do túmulo de Paulo VI)

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