As tílias


Para mim uma boa árvore é aquela que dá boa sombra, bom odor e bons frutos.
Nestes últimos dias, por alguns sítios por onde tenho passado, tenho sentido o cheiro forte e agradável das tílias, que começam a rebentar a flor. Lembro-me em especial, no passado dia 10, em Cernache do Bonjardim, na quinta do Seminário dos Missionários da Boa-Nova, do zumbir das abelhas e do cheiro sempre agradável das duas grandes tílias por onde passei.
Esta é um exemplo da árvore 'útil': dá sombra, tem bom cheiro, e dá uma flor que, quando seca, podemos usar para chá.
A tília até dá inspiração aos poetas. Aqui fica um da grande Florbela Espanca:

"Diz-me a tília a cantar: "Eu sou sincera,
Eu sou isto que vês: o sonho, a graça,
Deu ao meu corpo, o vento quando passa,
Este ar escultural de Bayadera...

E de manhã o sol é uma cratera,
Uma serpente de oiro que me enlaça...
Trago nas mãos as mãos da Primavera...
E é para mim que em noites de desgraça

Toca o vento Mozart, triste e solene,
E à minha alma vibrante, posta a nu,
Diz a chuva sonetos de Verlaine..."

E, ao ver-me triste, a tília murmurou:
"Já fui um dia poeta como tu...
Ainda hás-de ser tília como eu sou..."

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